Com o início do outono na última terça-feira (20), se aproxima a temporada da gripe, que ocorre de abril a julho no Brasil, segundo o pediatra infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

“Este ano, a temporada da gripe não se antecipou como ocorreu em 2016, o que acabou provocando um maior número de mortes. As mortes registradas até agora são casos isolados”, diz ele. Naquele ano, 1.982 pessoas morreram no país em decorrência do H1N1.

Desde o ano passado até o momento, o vírus da gripe predominante no Brasil é o H3N2, de acordo com o boletim epidemiológico divulgado semanalmente pelo Ministério da Saúde. Kfouri explica que não é possível prever se esse vírus manterá sua prevalência e qual será sua intensidade. “Só conseguiremos descobrir isso no meio da temporada. O que podemos fazer é proteger os vulneráveis”, afirma.

O infectologista se refere aos chamados grupos de risco, que apresentam maior chance de desenvolver infecções secundárias relacionadas à gripe, que são idosos acima de 60 anos, crianças de seis meses a cinco anos, grávidas, indígenas, pessoas com doenças crônicas e profissionais de saúde.

H3N2 provocou epidemia nos EUA

O H3N2 provocou uma das piores epidemias da gripe dos últimos anos nos Estados Unidos neste último inverno, e o mesmo vírus é esperado por aqui. “O vírus da gripe tem características pandêmicas devido às suas vias de transmissão, que são pelo trato respiratório. Provavelmente o vírus que já começa a circular aqui é o mesmo dos Estados Unidos pela facilidade de transmissão hoje em dia”, explica a virologista Erna Kroon, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O Brasil sofre uma epidemia de gripe todos os anos, que acomete 10% dos adultos e 70% das crianças, segundo o infectologista. “Mas o país costuma atingir 80% da cobertura vacinal, parâmetro que está acima da média mundial”.

“O Brasil sofre uma epidemia de gripe todos os anos, que acomete 10% dos adultos e 70% das crianças”

Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim)

Segundo o infectologista, a epidemia de H3N2 que ocorreu nos Estados Unidos, tomou grandes proporções – atingiu 49 dos 50 estados americanos, contaminando mais de 60 mil pessoas e matando cerca de 20 crianças – devido à baixa eficácia da vacina.“Há um sistema de vigilância internacional que vai percebendo a variação do vírus circulante durante o ano para produzir a vacina com paridade a esse vírus. Mas houve erro nessa previsão, por isso a eficácia da vacina foi muito baixa”, explicaAs informações desse sistema são enviadas à OMS que emite as recomendações sobre a composição da vacina para o inverno, em fevereiro, para o Hemisfério Norte e, em setembro, para o Hemisfério Sul.Segundo a determinação da OMS, as vacinas trivalentes deste ano deverão ser compostas por um vírus de tipo A (H1N1) detectado em Michigan, nos Estados Unidos, em 2015, outro de tipo A (H3N2) encontrado em Cingapura, em 2016, e outro de tipo B observado em Phuket, na Tailândia, em 2013.

Vacina é a melhor prevenção

No Brasil, a vacina da gripe é produzida pelo Instituto Butantan e disponibilizada na rede pública pelo Ministério da Saúde.

Na rede pública são oferecidas vacinas, gratuitamente, apenas aos grupos de risco. “Não há vacina para todos, então é preciso priorizar os grupos nos quais a gripe possa evoluir para doenças mais graves. O risco de complicação da gripe em jovens adultos é menor”, explica Kfouri.

Ele ressalta que pessoas que estão fora do grupo de risco podem aproveitar a oportunidade para se vacinar em programas de vacinação realizados por empresas ou outras agremiações.

Há também as vacinas disponíveis em clínicas particulares. “A vacina é a melhor prevenção, mas há outras medidas como evitar aglomerações, lavar as mãos com frequência e manter uma vida saudável”.

A vacina da gripe é feita a partir do fragmento do vírus morto, portanto incapaz de se multiplicar dentro do organismo. De acordo com o infectologista, demora duas semanas para fazer efeito. “Muitas pessoas acham equivocadamente que tomaram a vacina e pegaram a gripe. Isso é impossível de acontecer. O que pode ocorrer é a pessoa tomar a vacina para um tipo de vírus e pegar outro”, explica.

A campanha nacional de vacinação contra a gripe está prevista para ser realizada de 16 de abril a 25 de maio, sendo 5 de maio o dia de mobilização nacional.Maior pandemia da história, gripe espanhola completa 100 anos: A gripe espanhola é considerada a maior pandemia da história – pandemia é quando uma epidemia se espalha por diversas regiões do planeta. Acredita-se que entre 50 milhões e 100 milhões de pessoas morreram em decorrência da doença, o equivalente, na época, a 5% da população mundial. Cerca de 500 milhões de pessoas foram contaminadas.

Fonte R7

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