Os estudantes da rede estadual de ensino participam das atividades do Projeto Racismo na Mídia: Como Enfrentar. A iniciativa conta com exibição de filmes curta metragens que trazem como discussões temáticas relacionadas aos Direitos Humanos.  Nesta sexta-feira, 3, as obras cinematográficas serão exibidas na Escola Rural do Povoado Mussuca, em Laranjeiras, e na próxima terça-feira, 7, a ação acontecerá, às 14h, no Colégio Estadual General Valadão, em Aracaju. 

O projeto idealizado pela Secretaria de Estado da Educação (Seed), por meio do Departamento de Educação (DED), com a execução de responsabilidade do Serviço de Educação em Direitos Humanos (SEDH), por intermédio do Núcleo de Educação da Diversidade e Cidadania (Nedic), atende ao que preconiza o Plano Estadual de Educação para as Relações Étnico-raciais e de Gênero. 

A diretora do SEDH, Josevanda Franco, destaca que este importante instrumento de efetivação dos dispositivos da Lei Federal n°10.639/03, e de fortalecimento do protagonismo de crianças, adolescentes e jovens, tem como foco o enfrentamento de toda e qualquer forma de violação étnico-racial. 

“É importante sempre pensar que precisamos entender que a prioridade da escola enquanto espaço coletivo é promover a formação de indivíduos saudáveis. Nesta perspectiva, no que tange levar a formação do aluno para exercer a cidadania, é válido compreender que trabalhar com Direitos Humanos não é algo que se faz no espaço escolar somente no prisma do ensino. Dessa maneira, uma das estratégias para apresentar essa temática aos estudantes é trabalhar com os recursos audiovisuais”, evidência Josevanda Franco.

 Projeto Racismo na Mídia: Como Enfrentar

A coordenadora do Nedic, Maria Conceição Mascarenhas, relembra que o projeto surgiu em 2017 e, neste ano, a iniciativa está se fortalecendo.  Ela destaca que é um trabalho do SEDH com o Ministério Público do Estado de Sergipe (MPE). 

“A elaboração desse projeto surgiu no ano passado quando participamos de uma palestra na Universidade Federal de Sergipe (UFS), e uma fala do doutor do departamento de Letras, professor Ricardo Abreu, nos chamou muita atenção. De acordo com o pesquisador, no ano de 2016 aproximadamente 70 mil redações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tinham sido zeradas pelo fato de ter ferido os Direitos Humanos. A partir de então, percebemos a necessidade de promover discussões e reflexões no ambiente escolar acerca dessa temática”, recorda, ao informar que os relatórios do programa são entregues ao MPE. 

A escolha e utilização dos vídeos elencados deve-se a análise do potencial pedagógico e ao uso de linguagem acessível para os estudantes. Todos os filmes estão disponíveis no Youtubee as produções cinematográficas apresentadas são: Direitos Humanos, com duração de 3’03’’; Gustavo, 10 anos, dá uma aula de cidadania contra o racismo, com duração de 3’11’’; Imagine uma menina com cabelos de Brasil, com duração de 9’53’’ e 2 minutos para entender- Desigualdade Racial no Brasil, com a duração de 2’36’’.  

“Nesta semana, no dia 1°, a atividade aconteceu em São Cristóvão, na Escola Estadual Senador Paulo Sarasate. Na oportunidade, ministramos a Oficina Curta Direitos Humanos com a exibição dos filmes”, disse a coordenadora do Nedic. Ainda, de acordo com Maria Conceição Mascarenhas, no ano passado, a iniciava aconteceu em 12 unidades escolares com o total de 22 apresentações, com um público superior a 600 alunos.

Para Ana Mércia Dantas, coordenadora de Educação Quilombola, a Seed busca promover ações que possam colaborar e facilitar os processos de ensino e aprendizagem. “É um debate que suscita à reflexão de várias outras questões associadas aos Direitos Humanos”, reconhece. 

 

Educação e Audiovisual

A coordenadora de Educação para Relações Étnico-raciais do SEDH, professora Adriane Damasceno, explica que um dos propósitos do projeto é evidenciar o protagonismo juvenil a partir do fortalecimento da troca de experiências.  De acordo com a educadora, os discentes têm a oportunidade de conhecer e se envolver em atividade que permitem a aproximação do real de maneira reflexiva para assegurar uma educação antirracista. 

“O audiovisual é uma potente linguagem de comunicação e, além disso, faz parte do cotidiano dos nossos alunos. Sendo assim, pode ser utilizada com o objetivo pedagógico” explica, ao informar que a população de estudantes da rede pública de ensino é majoritariamente negra e que essa ação pode servir para promover também o empoderamento. 

Ao comentar sobre a importância da iniciativa, Adriane Damasceno destaca que a escola é um espaço de produção cultural e onde se exerce a cidadania. 

“Neste contexto, a discussão de temáticas como racismo e Direitos Humanos leva os estudantes à reflexão, compreensão e reconhecimento das condições desses jovens, de humanidade frente aos direitos”, frisa a coordenadora ao comentar que o projeto conta com uma boa aceitação e interesse por parte dos educandos. 

Parcerias

Adriane Damasceno informa que, neste ano, uma das propostas é aliar o projeto as oficinas de Produção Audiovisual, ministradas pelas técnicas Simone Amado Reis e Izabel Maria Santos, da Divisão de Tecnologia Educacional (Dite). 

“Pretendemos promover em dezembro a primeira mostra de Cinema e Direitos Humanos com filmes produzidos pelos estudantes. Mantemos contato com Núcleo Interdisciplinar de Cinema e Educação (Nice), do Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Cinema e Narrativas Sociais (PPGCINE). Estamos estabelecendo diálogos que possam fortalecer essa discussão ”, anuncia.

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