Nas águas do Rio Sergipe as to-to-tós resistem ao tempo e seguem transportando os ribeirinhos do município da Barra dos Coqueiros (SE) para o lado da capital, Aracaju.

As embarcações surgiram no lugar desde a década de 50 do século passado, quando as canoas passaram pelo processo de transformação e receberam os primeiros motores. O barulho provocado pelo motor acabou rendendo o nome de to-to-tós.

No passado, quando ainda não tinha sido inaugurada a ponte que liga os dois municípios [setembro, 2006], elas eram a forma mais rápida de atravessar o rio.

Por muito tempo, elas tiveram papel fundamental na economia do município, ajudando a escoar o coco que era o principal produto de exportação, durante décadas.

“Quando era criança acompanhava meu pai, que já tinha uma embarcação, aprendi o ofício com ele. Lembro também das procissões que aconteciam”, conta a técnica de enfermagem, Ketiley Conceição Carvalho.

Ainda segundo Ketiley, as embarcações muitas vezes ajudam a transportar pacientes para os hospitais em Aracaju. “Elas também serviam como ambulâncias e algumas vezes nem dava tempo de chegar ao hospital. Lembro que muitas mulheres acabaram parindo nelas”, afirma.

Atualmente 23 embarcações fazer a travessia a cada 15 minutos. A depender do tamanho podem transportar até 70 pessoas de uma única vez. O passageiro paga R$ 2 a cada viagem.

“Além de ser mais barato a gente anda tem essa imagem bonita do Rio Sergipe. A gente segue contemplando a natureza. Não troco por nada”, diz o aposentado Antônio Felizardo Santos.

Há cerca de sete anos as embarcações ganharam reconhecimento com o decreto estadual que transformou o meio de transporte em Patrimônio Cultural e Imaterial de Sergipe.

Interferência do progresso

Os ribeirinhos contam que depois que a ponte foi inaugurada em setembro de 2006, a tradição ficou ameaçada, já que a travessia passou a ser feita também através dos carros e ônibus do transporte coletivo.

“Houve uma redução muito grande de passageiros. Muita gente também abandonou o trabalho devido a essa concorrência. A ponte trouxe progresso, mas também essa ameaça”, conta o canoeiro Edmilson dos Santos.

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