Um silêncio sepulcral toma conta dos corredores da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) quando evocado o assunto eleição da nova mesa diretora. Em menos de 30 dias, no próximo 1º de fevereiro, parlamentares reeleitos e outros 12 novos deputados iniciam o ano legislativo, mas por enquanto o futuro da Presidência da Casa segue praticamente indefinido.

A repulsa de boa parte dos deputados pelo assunto tem como pano de fundo o embaraço jurídico do qual o atual presidente da Alese, Luciano Bispo, tenta se livrar.

O emedebista, que já articulava a reeleição para mais dois anos no comando do Legislativo, teve o registro de candidatura cassado pela Justiça Eleitoral e os recursos indeferidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Agora, corre contra o tempo para reaver o mandato antes da posse, especialmente, após a deliberação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SE) de diplomar o primeiro suplente da coligação, Robson Viana (PSD), como deputado apto a assumir a cadeira que seria de Bispo.

Enquanto o imbróglio persiste, demais parlamentares evitam qualquer pitaco sobre o assunto, numa clara demonstração do receio em partir para o embate com Luciano Bispo sem que antes ele esteja plenamente fora do páreo.

Numa eventual disputa sem o atual presidente, dois nomes da atual legislatura aparecem como pretensos candidatos: Garibalde Mendonça (MDB), atual vice, e Jeferson Andrade (PSD), atual 1º secretário.

Ambos chegaram a tentar costurar uma candidatura, mas logo recuaram e, agora, desconversam quando questionados sobre o assunto. Segundo eles, é preciso esperar até que se bata o martelo quanto ao futuro político de Luciano, que tem a seu favor o apoio do governador Belivaldo Chagas (PSD) e, portanto, de uma parcela considerável do parlamento.

Entre os que não silenciam, os deputados Gilmar Carvalho (PSC) e Francisco Gualberto (PT) sinalizam o voto pró Luciano, caso ele consiga se manter no Legislativo a partir de fevereiro. “Torço muito para que Luciano Bispo, nosso presidente, encontre remédio jurídico para prosseguir na presidência da Assembleia Legislativa”, disse o petista na tribuna da Alese nesta quinta-feira (3), quando manifestou a intenção de também compor a mesa diretora como vice-presidente da Casa.

Pivô das indefinições, Luciano Bispo preserva o discurso já repetido à exaustão de que está “plenamente tranquilo” quanto ao seu futuro político. Sua defesa continua trabalhando para reverter a cassação, embora haja o entendimento do TRE-SE de que não há mais instrumento jurídico capaz de modificar a decisão da Corte Eleitoral. Interlocutores, discordam e apostam ser esta apenas uma questão de tempo.

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