Carrego tantos pecados que só o Senhor Jesus para suportar o peso da cruz que perdoa e salva. Feita a devida ressalva, o desabafo: descerei à sepultura sem entender como certas espécies conseguem se superar no execrável papel de se apequenar.

De ser bufo. Insano. Um psicopata a velar o traço nocivo de não nutrir remorso, achando-se a perfeição em pessoa? Sei lá… Não entendo já disse.

Aonde quero chegar? Lula. O ser humano. Não o político. Não sou petista, mas sou cristão. Se Lula errou tem que pagar, e está pagando caro, tendo errado ou não. Mas daí odiá-lo e dar a entender se orgulhar disso? Desde quando o caráter punitivo da pena deu lugar a um caráter vingativo?

O ex-presidente, que se entregou à Polícia Federal, na noite do sábado, dia 7 de abril (lá se vai, portanto, quase um ano), mofa preso numa cela, onde até visitas religiosas são restritas e sofre humilhações de praxe no mundo carcerário.

Um idoso que já foi vítima de um câncer. Entretanto, tem quem ache pouco.

Há quem tenha a coragem de se expor negativamente, sobretudo em redes sociais, para não esconder o ódio.

Até em momentos que o lado humano precisaria superar o político, como nesta quarta-feira, dia 30, quando criticaram a possibilidade, repito: a possibilidade, sequer o fato, de Lula enterrar o irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá, sob escolta policial. Quem nunca viveu esta dor? Mas Lula nem se mexeu e foi bombardeado. Lula não sepultou Vavá. Seus algozes não sepultam o ódio.

A estupidez é potencializada, note-se, à medida que se percebe que, entre os “perfeitos”, os “santos” que julgam, condenam e acham pouco o que passou a ser a vida do ex-presidente, mesmo sem a devida toga, emergem pessoas com afinidades com os livros, graduadas e pós-graduadas. Todas prontas a não deixar imprecisões: o ódio supera a sensatez. A misericórdia. Em certas mentes até o amor.

A impressão que passam é que a privação da liberdade e os problemas reservados aos presos são capazes de sucumbir a dignidade, a honra, às vezes, até o desejo pela própria vida de qualquer um, exceto Lula. Lula não sente dor. Ou causá-la é o sentimento macabro.

Só faltam externar diretamente: para Lula, qualquer inferno é pouco. Além de preso, poderia também ser submetido a sessões de torturas até a morte. No Brasil não há pena de morte e a tortura não é legal? Que tal abrir uma exceção? É possível ler no subliminar.

O pano de fundo deste ódio todo, entretanto, é surpreendido pela inquieta e lúcida indagação: se há tantos políticos corruptos na terra cuja bandeira propaga “ordem e progresso” por que os olhos desta gente só estacionam no petista? Evidente que só eles podem responder com precisão.

Todavia, não creio ser mero acaso Lula, culpado ou inocente, entrar para a história como o presidente que mais cuidou da área social. Ou o que mais pensou no pobre, num português seco. Desculpa para errar? Jamais. Mas quer ter uma ideia de como isso incomoda? Pegue as pesquisas para presidente quando Lula, mesmo preso, ainda alimentava esperança de entrar na disputa, em 2018. Os números são implacáveis.

 

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