Frustração e revolta. Palavras que resumem o resultado da audiência extrajudicial realizada na manhã desta segunda-feira (04), na promotoria de Saúde do Ministério Público Estadual, entre representantes do grupo Mulheres de Peito e do Governo de Sergipe, para tratar do impasse envolvendo uma unidade móvel para realização de exames de mamografia – a Carreta do Câncer, como é conhecida -, mas que, diante do exposto pelos representantes do Estado, não deve ficar em Sergipe.

Com um valor estimado em R$ 2,7 milhões e capacidade para atender a 150 mulheres por dia, a carreta está equipada com aparelhos digitais que permitem a emissão dos laudos no mesmo dia da realização do exame, permitindo o diagnóstico precoce – na prática, um equipamento essencial à prevenção do câncer de mama.

No Dia Mundial do Câncer,  hoje, e Dia da Mamografia, amanhã (05), quem luta incansavelmente pelos direitos daqueles que sofrem com a doença diz que não há o que comemorar. “A gente veio para essa audiência esperando chegar a um consenso, esperando por um acordo, como o Governo havia proposto, mas tivemos uma surpresa, o que nos deixa decepcionados e revoltados com a forma como o câncer é tratado em Sergipe. Hoje só temos que lamentar, e apelar para os governantes para que o Estado não fique sem essa importante aliada na prevenção do câncer de mama”, disse a representante do grupo Mulheres de Peito, Sheyla Galba. Segundo ela, mais de 600 mulheres foram cadastradas para realizar exames na carreta.

Na reunião, os advogados da Secretaria de Estado da Saúde, que não quiseram falar com a imprensa, informaram ao promotor Manoel Cabral Machado Neto, que está sendo aberto um procedimento administrativo para rever o contrato e, caso seja encontrada alguma irregularidade, o Estado vai pedir o distrato.

“Eles vão encontrar um erro no contrato, nem que seja de português, para justificar uma irregularidade e fazer esse distrato. Quem perde com isso é a população que precisa”, disse Bruno Oliveira, apoiador do grupo.

De acordo com o promotor, o MP irá aguardar a revisão contratual para seguir com o procedimento. Manoel Cabral esclareceu ainda que não foram encontrados indícios de desvio de recursos ou qualquer ato de improbidade administrativa, mas que a promotoria está atenta e continua acompanhando o caso de perto.

Entenda

A carreta que funciona como clínica móvel para realização de exames de mamografia está pronta há sete meses e foi montada através de uma espécie de convênio celebrado junto ao Governo de Sergipe, porém só será entregue ao Estado após o pagamento integral.

Segundo informações passadas ao promotor de Justiça Manoel Cabral, o recurso para aquisição da carreta seria oriundo das sobras do duodécimo destinado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Na semana passada o governo tentou negociar um parcelamento em duas ou três vezes, mas de acordo com a empresa Morubim, responsável pelo veículo, isso não estava previsto no contrato celebrado ainda em 2017, pelo então governador Jackson Barreto (MDB), o ex-secretário de Estado da Saúde, Almeida Lima, e o ex-presidente da Corte de Contas, Clóvis Barbosa.

Devido às declarações do representante da empresa sobre supostas vantagens ilícitas, o governador Belivaldo Chagas determinou que a Procuradoria Geral do Estado ajuíze ação judicial para que ele  esclareça a denúncia.

 

 

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