Na emergência de saúde pública que o Brasil vem enfrentando devido à pandemia da covid-19, diversas têm sido as linhas de enfrentamento organizadas por membros da sociedade civil. Em Sergipe, uma delas é encabeçada por Stephanie Kamarry, professora do IFS – Campus Lagarto e idealizadora do projeto Cuidar de Quem Cuida da Gente, que existe há apenas três semanas e já alcançou a marca de mais de 1200 protetores faciais distribuídos gratuitamente a diversas unidades de saúde de todo o estado.

A professora Stephanie Kamarry (no centro) acomapanda de Amanda Prata e André Carvalho, da Secretaria Estadual de Saúde, no início do projeto (Foto: Ascom/SES)

O projeto surgiu da aliança entre uma inquietação pessoal e a constatação de que, com algumas impressoras 3D, algo poderia ser feito para contribuir com o enfrentamento à pandemia. Esse foi o estopim para que a professora Stephanie lançasse um “desafio” no Instagram e uma grande rede de voluntários começasse a se formar. Atualmente, o projeto conta com mais de 50 impressoras 3D e cerca de 100 pessoas trabalhando de vários pontos de Sergipe em prol da fabricação das chamadas face shields, que se destinam aos profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate à covid-19.

Da impressão até a entrega, os protetores passam pelas equipes de produção, logística e otimização, além do suporte dos setores financeiro e de marketing. É necessário frisar que todos os envolvidos no projeto estão seguindo rigorosamente as medidas de segurança recomendadas pelas autoridades em saúde.

A matéria-prima para a fabricação dos protetores são o acetato e o PLA (plástico de poliácido láctico) (Foto: Ascom/SES)

Além das equipes de voluntários, diversas empresas e instituições públicas, como o próprio Instituto Federal de Sergipe, são parceiros da iniciativa. As impressoras 3D do Campus Lagarto estão cedidas para o projeto e a Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dinove) do IFS também se somou ao processo de fabricação. A propósito, há uma outra linha de produção de protetores faciais dentro do instituto, liderada pelo professor José Augusto Andrade, da Dinove.

Proporção da iniciativa

Nesta semana, o Cuidar de Quem Cuida da Gente atingiu a marca de 2047 máscaras impressas e mais de 1200 entregues à Secretaria Estadual de Saúde, que é responsável pela distribuição nas unidades de saúde de Sergipe. Segundo Stephanie, ela não imaginou que a iniciativa fosse ganhar essa proporção. “No início, eu comentava com um amigo que, se ninguém ajudasse, eu iria colocar do meu dinheiro mesmo para fazer algumas poucas máscaras e faria só com amigos próximos”, comentou a professora acrescentando: “Não imaginei que em três dias já teríamos uma fábrica rodando”.

Profissionais do Hospital Regional de Propriá com protetores fabricados pelo Cuidar (Foto: Ascom/SES)

De fato, a dimensão do projeto é enorme. Hoje, dezenas de unidades de saúde de várias cidades de Sergipe estão equipadas com os protetores faciais fabricados pelo Cuidar. A Coordenadora da Central de Abastecimento de Insumos e Medicamentos da Secretaria Estadual de Saúde (CADIM/SES), Amanda Prata, afirma que as unidades de saúde possuíam equipamentos de proteção individual (EPI) para uma rotina dentro da normalidade, mas que a chegada da covid-19 pegou todos de surpresa. “É nesse sentido que iniciativas como a do Cuidar são fundamentais. Como praticamente todas as unidades do estado já receberam os protetores, estou começando a expandir um pouco a distribuição para a Polícia Civil e Corpo de Bombeiros, que são profissionais que também estão mais vulneráveis devido à função que exercem”, destacou Amanda.

Os próximos passos do projeto vão no sentido de aumentar a quantidade de produção dos protetores faciais e de iniciar a fabricação de um novo tipo de EPI: óculos de segurança. Na verdade, de acordo com Stephanie, a partir da próxima segunda-feira, 13 de abril, o Cuidar já iniciará a entrega dos óculos, que foi outra demanda levantada pela Secretaria Estadual de Saúde. “No início, quando o grupo se formou, eu queria fabricar mil face shields, mas hoje a meta é entregar 5000 deles e 1500 óculos. Fomos aumentando a meta à medida que percebemos que tínhamos capacidade para mais”, finalizou a idealizadora do projeto.

Os protetores se destinam àqueles que estão na linha de frente do combate à pandemia da covid-19 (Foto: Ascom/SES)

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