Desde muito pequena, o talento de Allyssa já era notado por sua mãe Maria Barbosa dos Anjos (in memoriam), mas só aos 14 anos a jovem começou a cantar profissionalmente. Iniciou sua carreira cantando na igreja evangélica da qual era membro e permaneceu até quando decidiu se aventurar fora do estado. Com um grupo de amigos, Allyssa foi morar em Alagoas, onde foi vocalista de um grupo musical e começou a ser aplaudida pelo seu talento e foi essa decisão que a transformou na primeira cantora transexual sergipana.

Allyssa conta que sua ‘transformação’ foi gradativa. “Meu timbre de voz sempre foi feminino, mas no início eu me vestia como homem e as pessoas ficavam confusas, sem entender bem, o que era até engraçado, mas eu percebi que para criar uma identidade musical, eu não poderia deixar as pessoas confusas, então primeiro mudei meu nome e só depois a ‘aparência’. Não fazia sentido, eu me apresentava como Beninho, mas tinha uma voz feminina? Eu vi que precisava mudar”.

Porquê Allyssa Anjos? 

“Allyssa é uma referência a Alice do País das maravilhas,eu sou muito agitada, espontânea, as coisas acontecem muito por acaso comigo, sou muito boa com improviso (risos), então alguns amigos sugeriram e eu modifiquei para Allyssa e Anjos é o meu sobrenome.

Quais foram as maiores experiências com a música? 

“Todas foram grandiosas, como disse, as coisas acontecem muito por acaso na minha vida, eu sempre abracei as oportunidades que apareceram. Eu tive oportunidade de fazer meu nome em diversos lugares no Brasil, Maranhão, Bahia, Pernambuco, Alagoas, Piauí, São Paulo, Minas, até no Paraguai e no Chile. É claro que não foram em proporções suficientes para que alavancasse uma carreira firme,   mas por onde passei, eu fui reconhecida e aplaudida, por isso que permaneço buscando me estabelecer na música”.

Allyssa Anjos já é conhecida fora, o que te fez voltar a Lagarto?

“Eu amo Lagarto, aqui é a minha casa, eu voltei porque nunca quis ter saído. Eu fui, porque eu precisei ir, mas não quero ter que sair da minha cidade para ser reconhecida, por isso peço que lagarto me escute, para eu sair e levar lagarto comigo, sabendo que vou voltar”.

Sobre o seu estilo musical, sempre foi o mesmo?

“Não, a cada experiência que eu fui vivendo, um estilo de música foi surgindo. Eu sou fluente em 5 idiomas, quando estive fora do Brasil, meu repertório era internacional, eu cantava espanhol, francês, Inglês, italiano, já passei temporadas cantando lambada (risos), mas a nordestinidade falou mais alto, eu amo o forró. Atualmente estou cantando o forró universitário, que é essa mistura de forró com sertanejo. Eu sei que não será fácil, ‘o forró é muito maxista’, mas, ainda que o caminho seja difícil e que a vida me diga não, vou fazer a bandeira do meu sim, como sempre fiz. porque foi por receber muitos ‘nãos’ que eu estou aqui sentada nessa cadeira, dando uma entrevista para o Portal lagartense. Que alegria! (risos)”.

A sua condição sexual já interferiu ou interfere de forma positiva ou negativa na sua vida?

“Infelizmente sim, eu entendo que é natural as pessoas sentirem medo do desconhecido, o “pré conceito” é como se fosse uma reação espontânea do indivíduo, mas é preciso se permitir conhecer o estranho. Em determinado período que passei aqui em Lagarto, enviei meu trabalho há um produtor e ele ficou super empolgado para trabalhar comigo, mas eu sou muito transparente e gosto de deixar claro quem sou, quando falei para ele que era trans ele desistiu e me disse que sentia pena por isso. Eu não preciso de pena, eu preciso de oportunidade para mostrar o que eu sei fazer, porque eu sou muito boa no que faço. Essa foi apenas uma situação, de diversas que acontecem, não só no ramo da música. Eu tenho qualificação profissional, sou designer de moda desde quando ainda não tinha me tornado Allyssa, tenho experiência na área, mas ninguém contrata. Pessoas que demonstram total interesse no meu currículo, desistem quando sabem que eu sou trans”.

Essa é a primeira vez que está conseguindo disseminar o seu trabalho em Lagarto. Como se sente? 

“Não consigo nem explicar, mas gostaria muito de agradecer. Primeiramente a Deus, por me conceder o talento modéstia a parte, mas também agradecer á Afonso Augusto, Junior Valadares, Rodrigo Lopes, Kiko Monteiro, Marcos Studio, porque se isso está acontecendo é por causa do apoio que essas pessoas estão me dando. Agradecer o carinho das “allynáticas”, isso mesmo, já tenho um fã clube, e tudo isso é maravilhoso. Eu nunca tive a pretensão de me tornar uma cantora famosa, rica, eu sempre quis cantar, sempre cantei por amor e porque eu sei que tenho talento para isso e está sendo reconhecida por isso aqui na ‘minha casa’ é muito satisfatório, é a realização de um sonho, eu quero que mais pessoas me vejam cantar, porque o talento não escolhe gênero, raça, cor, classe social, ele chega sem nem pedir licença, eu gostaria muito que as pessoas entendessem isso.

O que Allyssa está preparando para apresentar para o público? 

Estou gravando uma nova música, um novo clipe, em breve novidades (risos) e tem um clipe meu no canal do youtube, para quem quiser conferir o meu trabalho.

Para acessar o clipe: https://www.youtube.com/watch?v=wPe1DYtp2Ow

 

 

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