Seis meses após o primeiro caso confirmado da Covid-19 em Sergipe, o estado registra a menor taxa de contágio pelo vírus no Brasil, de 0,69, de acordo o índice da Covid Analytics, calculado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC) em parceria com a Universidade Federal de Sergipe (UFS).

O estado de Alagoas também aparece com o mesmo índice, de 0,69. O número efetivo de reprodução (Rt) é uma métrica chave, que representa a taxa de infectividade do vírus, ou seja, para quantas pessoas, em média, um indivíduo infectado transmite a doença. 

Já são seis semanas consecutivas com redução de casos e mortes por Covid-19 em Sergipe. Segundo o governador Belivaldo Chagas a queda crescente nos números despertou o interesse de pesquisadores do País e pode ser explicada, em parte, pelas medidas firmes tomadas pelo Estado desde o início da pandemia.

Belivaldo explica queda no número de casos de Covid-19 no estado.

“O caso em Sergipe é como se fosse um V invertido. Tivemos o primeiro caso confirmado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) em 14 de março e, imediatamente, adotamos as medidas de emergência necessárias para conter a propagação do vírus. Depois, houve um pico de crescimento até o dia 17 de julho, a partir de então, começamos a registrar uma queda, inclusive, servindo de estudo por parte de outros estados e de técnicos e cientistas. Talvez tenha sido fruto do trabalho de todos nós, para que pudéssemos segurar a onda de crescimento para chegarmos a esses números favoráveis de hoje”.

Em maio deste ano, um estudo divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontou que Sergipe foi o estado do Nordeste, que mais adotou ações de enfrentamento ao coronavírus desde o início da pandemia.

“Nossa maior preocupação desde o início sempre foi com as vidas das pessoas, todas as medidas adotadas sempre foram baseadas em orientações técnicas e cientificas. Claro que é tudo novo para todos e não podemos afirmar precisamente o que realmente explica o nosso cenário atual nem se ele será contínuo, mas a certeza que temos é que fizemos e estamos fazendo todo o esforço possível para minimizar os impactos da doença no nosso estado e na nossa população”, destacou Belivaldo.

O professor do curso de Farmácia da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e doutor em Bioquímica Lysandro Borges, que desenvolve estudos relacionados à Covid-19 em Sergipe, informou que a taxa de circulação do vírus, entre abril e maio, era de 4.5 no estado.

Para o pesquisador três fatores têm contribuído para a redução no número de casos e mortes pela doença: os linfócitos T, a imunidade de rebanho e a adesão do uso da máscara, principalmente na Grande Aracaju. “Os linfócitos T são células de defesa do nosso organismo, que atacam tudo que é estranho. As pesquisas demonstraram que essa célula já está apta a atacar o SARS-COV-2 sem nunca ter tido contato com ele”, explicou.

O governador reforçou que apesar das semanas consecutivas de queda, ainda não é hora para relaxar com relação às medidas preventivas e pediu que a população continue colaborando para que os números não voltem a crescer no estado.

“Todas precisam continuar atentos às medidas de higiene, como a lavagem das mãos com água e sabão e uso álcool em gel, além do distanciamento social e uso de máscara. Tudo indica que a nossa insistência para a adoção coletiva dessas medidas, assim como para que os estabelecimentos sigam os protocolos sanitários de saúde têm gerado esse resultado e precisamos manter isso para não retrocedermos”, alertou o chefe do Executivo estadual.

Lysandro Borges pontuou que, inclusive, há indícios de que o uso de máscara tenha uma grande relevância nesse contexto. O que pode explicar que, agora, os números da doença sejam maiores no interior do estado, já que a adesão ao uso do item de proteção é menor fora da Grande Aracaju. “Por isso que, agora, nós temos o aumento do número de casos nos interiores, pela não adesão do uso da máscara”.

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