Carlos Arthur Nuzman vai seguir preso. A defesa do ex-presidente do Comitê Olímpico do Brasil teve negada liminar no início da noite desta quarta-feira e assim o dirigente irá seguir na penitênciária em Benfica, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Mais cedo, a Justiça também indeferiu a primeira medida impetrada pela defesa de Nuzman, que contestava os procedimentos adotados pelo Ministério Público Federal na “Operação UnFair Play”, que apura a compra de votos para a realização da Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro. Mais cedo, Carlos Arthur Nuzman renunciou ao cargo de presidente do COB para se dedicar apenas a sua defesa.

Carlos Arthur Nuzman
Carlos Arthur Nuzman

Em sua decisão, Abel Gomes, Desembargador Federal e relator do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, garante que a medida cautelar deve ser excepcional e apenas caso a ilegalidade e abuso de poder estiverem absolutamente evidenciados. Assim, cita que as decisões estão fundamentadas e envolvem organização criminosa. O despacho argumenta que não se apura apenas a compra de votos para a realização da Olimpíada no Rio, como também a suposta ligação de Carlos Arthur Nuzman com agentes públicos e contratos firmados por conta do evento, e junto a empresas ligadas a integrantes dessa organização criminosa. Ele pede que em até 72 horas a defesa de Nuzman envie informações que considerar pertinentes, sobretudo a respeito da eventual imputação já veiculada em face do paciente. A defesa anunciou que irá estudar os próximos passos.

Em outra parte, o desembargador cita que a prisão temporária levou em conta a “elevação patrimonial incompatível” e que a preventiva revelou “suposta movimentação sua no sentido de alterar aspectos de suas declarações de rendimento e possivelmente dissimular origem patrimonial”. No fim, o desembargador afirma que “elementos colhidos parecem dar conta de uma sofisticada conduta de corrupção que, conforme se possa aferir com mais precisão, indicariam a ação do governador, em concurso com outras pessoas, dentre elas o ora paciente, numa espécie de corrupção passiva”.

Mais cedo, a defesa de Nuzman teve negada a impetração que travada da ilegalidade da atuação do Ministério Público Federal. Para isso, a defesa de Nuzman negava a participação dele em qualquer esquema de compra de voto e citava que o dirigente não tinha qualquer relação com Sérgio Cabral e que nunca exerceu cargo público. A defesa citou também que o “evento olímpico envolve entidades privadas, de modo que a conduta apurada seria atípica, a retratar suposta corrupção privada, ressaltando que o paciente jamais teve a atribuição de deliberar isoladamente sobre qualquer serviço, sendo todas as decisões do comitê adotadas por colegiado”.

Em outro trecho, a defesa contou que as autoridades francesas e órgãos de imprensa acompanharam a busca e apreensão, o que demonstraria a abusividade da ação que não encontraria respaldo na legislação brasileira, já que corrupção privada não é tratada como crime. Por fim, voltava a citar que Nuzman não estaria envolvido em suposta organização criminosa capitaneada por Sérgio Cabral, sem indicação de atos de corrupção e agentes públicos supostamente beneficiados, o que o desembargador Abel Gomes indefiriu por completo.

Entenda a operação

A Operação Unfair Play teve início na França durante investigações do Ministério Público Federal local. Os franceses investigavam os escândalos de doping russo envolvendo Federação de Atletismo Internacional (IAAF), quando se depararam com indícios de corrupção na escolha da sede do Rio para as Olimpíadas de 2016. Em março deste ano, uma reportagem do jornal francês “Le Monde” revelou uma investigação da polícia francesa que mostrava indícios de pagamentos de Arthur Soares para dois membros do COI – Lamine Diack e Franck Fredericks – antes da eleição que escolhou o Rio como sede dos Jogos de 2016.

– Em março de 2017 foi feito um pedido de cooperação do Ministério Público Francês, que tinha elementos consistentes em suas investigações. Membros do COB passam a viajar para visitar pessoas no mundo em busca de apoio na votação, em busca de angariar votos. Em setembro de 2009, Sérgio Cabral recebeu em Paris um prêmio que rendeu a famosa imagem da farra do guardanapo. Poucos dias depois, ocorre a primeira transferência bancária para a conta de Papa Massata Diack, no valor de 2 milhões de doláres – explicou Fabiana Schneider, procuradora da república.

As investigações encontraram indícios de que Nuzman teve participação direta nos atos de compra de votos de membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) para a eleição do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 e que teria sido o responsável por interligar corruptos e corruptores.

– Todos esses elementos comprovam que Sérgio Cabral e sua organização compraram um voto para sediar a Olimpíada do Rio em 2016 – completou a procuradora.

Procurado, o Comitê Olímpico Internacional (COI) se pronunciou sobre a operação desta terça-feira via assessoria de imprensa. A resposta foi a mesma dada em março após a denúncia do jornal “Le Monde”.

– O COI soube sobre a operação pela mídia e está fazendo todos os esforços para obter mais informação. É no mais alto interesse do COI obter esclarecimentos sobre este assunto.

Por Globo Esporte

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