Na sessão desta terça-feira, 9, a Câmara Municipal de Vereadores de Lagarto aprovou uma Moção de Repúdio ao Hospital Universitário de Lagarto (HUL), “pelas corriqueiras ocorrências de falta de atendimento médico”. A medida foi proposta pelo vereador Dwiht Nascimento e acatada por todos os 17 vereadores.
O texto foi aprovado em um momento em que vários cidadãos têm utilizado às redes sociais e veículos da imprensa local para denunciar a demora para receber um atendimento médico. Um dos últimos casos que repercutiu nas redes ocorreu no começo do mês, quando foi divulgado um vídeo mostrando uma mãe invadindo a unidade em busca de um médico para atender a filha. Na ocasião, ela não obteve sucesso e teve que recorrer ao Hospital Regional de Itabaiana.
Após o ocorrido, a Câmara Municipal de Lagarto, na sessão do último dia 04 de novembro, discutiu a adoção de algumas providências em relação a atuação do HUL, dentre as quais estava o envio da escala médica ao parlamento e a exposição da mesma. Segundo o vereador-presidente, Amilton Fontes, tudo será discutido durante uma audiência pública com os gestores da unidade junto ao Ministério Público Estadual.
Direção do HUL: Não falta médico, falta leito
Procurado pela reportagem do Portal Lagartense, o Superintendente do HUL, Dr. Manoel Cerqueira Neto, assegurou que o hospital não está sofrendo com a falta de médico, mas com a superlotação dos seus leitos. “Nós temos médicos suficientes, o que está havendo é o aumento da demanda em todo o estado. O HUL tem 85 leitos contratados pelo Estado e a nossa taxa de ocupação é sempre acima disso”, argumentou.

Segundo o Superintendente, nesta terça-feira, 9, o HUL está com uma taxa de ocupação geral de 121,33%, sendo 118% na ala amarela, 100% na vermelha e 200% na Clínica Médica. “Nas últimas 24h registramos oito altas e 12 internações, então não é falta de médico, é falta de leito pelo aumento da demanda. Por conta da pandemia, as pessoas passaram um ano e meio sem acompanhamento das suas doenças crônicas, que nesse momento foram se agravadas, de modo que quando elas chegam, precisam ficar internadas para realizarem o tratamento necessário”, observou.
Diante da situação, Dr. Manoel Cerqueira lamentou o fato do HUL não estar em condições de atender os casos menos graves, mas assegurou que o hospital segue realizando o seu papel de tratar casos de urgência/emergência e ainda formar bons profissionais. “Nós não estamos descumprindo o nosso contrato, porque, se estivéssemos, o próprio gestor, no caso a Secretaria de Estado da Saúde, já teria nos acionado, mas pelo contrário, nos procurou para buscar uma solução conjunta para a alta demanda que tem afetado toda a rede estadual”, frisou.
E completou: “Hoje, os pacientes de Lagarto ocupam 89% dos leitos do Hospital Universitário, enquanto os pacientes dos outros municípios da região centro-sul, outros municípios do nosso Estado e do Estado da Bahia, ocupam os outros 11%. E isso acontece, porque estes municípios possuem UPAs e hospitais de pequeno porte e encaminham para o HUL somente os casos graves. Por fim, precisamos entender e buscar soluções conjuntas que possam trazer resultados para todos, como a abertura de uma ou duas UPAs em Lagarto, já que possui uma população de mais de 110.000 habitantes e/ou um hospital de retaguarda, para que os pacientes de menor complexidade possam ser regulados e assim, liberar os leitos do HUL para os casos vindo pela porta de urgência/emergência”.




