Os falecimentos de celebridades sempre causam curiosidade diante da variedade de ritos culturais e religiosos envolvidos, bem como a exposição midiática de uma série de serviços realizados por profissionais desde o anúncio do falecimento até o sepultamento ou mesmo cremação e destinação das cinzas.
Passado o susto das notícias, que nos indicam que as celebridades também morrem, como seres vivos que somos, os momentos seguintes perpassam tristeza, luto e respeito, permeados pelo desejo de eternizar em memória aquele que deixa seu legado e parte de nosso convívio.
Neste contexto o falecimento do famoso jogador de Futebol Pelé (1940-2022) evidenciou toda estrutura, logística e gama de profissionais envolvidos no cerimonial de sua despedida. O local escolhido para o sepultamento foi o Cemitério vertical Memorial Necrópole Ecumênica, localizado na cidade de Santos em São Paulo.

O local idealizado em meados de 1983 pelo argentino José Salomon Altstut, (Grupo ALTSTUT), traz arquitetura imponente (que será ampliada) e conta com mais de 17 mil lóculos (onde são sepultados dos corpos), além de crematório, cinerário (onde são conservadas cinzas) e outros serviços de alto padrão, além de seguranças, circuitos de câmeras, belos jardins com aves, estruturas de apoio à familiares e uma coleção de carros antigos que adornam o espaço que não aduz a lembrança de um cemitério a céu aberto como conhecemos.
Lá estão sepultados também o músico “Chorão” da Banda Charlie Brown Jr. (1970-2013) e outras personalidades. Logo a seguir podemos observar algumas imagens.




Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-64156629. Acesso em: 03 de jan.2023.


Google.com.br (imagens), 2023
Salienta-se ainda o crescimento do ramo de serviços funerários no denominado eixo de “organização de assistência à família” como observados aqui no Estado de Sergipe e nas empresas do ramo funerário aqui da cidade de Lagarto, que diversificam e modernizam suas estruturas e seu portfólio no sentido de ampliar o acesso a produtos e serviços de apoio e convalescência e não apenas na ocasião da morte, assim como pode ser visto no anúncio de uma destas organizações de grande presença nos estados de Sergipe, Bahia e Alagoas.

Contudo o aumento da qualidade e segmentação de mercado, ainda contrastam entre a ampliação de empreendimentos e serviços de alto padrão como O Memorial Necrópole Ecumênica aqui citados e a precariedade e falta de investimentos em cemitérios de acordo com normas sanitárias e núcleos especializados em cursos de Tanatopraxia para que serviços técnicos estejam ao alcance da população.
Segundo informações do Centro de Tecnologia de Administração Funerária (CTAF), tais procedimentos devem ser realizados por técnicos especializados ou com noções em tanatopraxia, visto que são um conjunto de técnicas aplicadas para higienizar, tamponar, conservar, embalsamar e conferir ao cadáver uma melhor aparência para que possa ser transportado para uma possível cerimônia fúnebre que pode culminar no sepultamento ou mesmo cremação. As aplicações das técnicas requerem uma série de equipamentos, fluídos específicos e principalmente itens de segurança para o profissional, uma vez que trabalha diretamente com organismos patológicos.
São variadas as possibilidades de ampliação dos empreendimentos do ramo funerário, indicando a necessidade de respeito às crenças culturais e religiosas das pessoas envolvidas nos ritos funerários e as legislações como as Resoluções CONAMA nº335/2003, CONAMA nº 368/2066, além de outras normativas que garante a preservação do uso de imagens e restringem quaisquer tipos de manipulação indevida sem autorização prévia dos familiares, como o Artigo 212 do Código Penal Brasileiro que trata do “Vilipêndio de cadáveres”, que considera crime “destruir, subtrair ou ocultar cadáver” além do desrespeito aos mortos. Deve-se lembrar inclusive de casos como o falecimento do cantor Cristiano Araújo (1986–2015) e de vítimas de acidentes e crimes nos quais pessoas registram e divulgam imagens nas redes sociais.
Neste sentido ao tempo que nos despedimos do craque Pelé, buscamos mostrar neste pequeno texto nosso respeito e a importância da modernização dos serviços e empreendimentos funerários e cemiteriais e seus profissionais, que surgem muitas vezes como mãos “anônimas” que nos auxiliam nas horas mais difíceis.
Rosana Rocha Siqueira
Prof. IFS Campus Lagarto, Doutora em Desenvolvimento e Meio Ambiente-PRODEMA UFS.





