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Pesquisa do ITPS monitora qualidade da água nas bacias hidrográficas de SE

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A preservação da qualidade da água é uma das principais preocupações ambientais. Atento a essa necessidade, o Instituto Tecnológico e de Pesquisas do Estado de Sergipe (ITPS), órgão vinculado à Secretaria do Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedetec), desenvolve pesquisa que avalia a qualidade dos rios em Sergipe. O estudo intitulado ‘Monitoramento de compostos orgânicos nas águas dos mananciais superficiais do Estado de Sergipe’ surgiu com o objetivo de contribuir com o monitoramento da qualidade da água dos mananciais, a balneabilidade e o uso da água, trazendo informações importantes sobre a saúde dos rios sergipanos e sua importância para o meio ambiente e a comunidade local.

A pesquisa foi realizada em cinco bacias hidrográficas de Sergipe: São Francisco, Japaratuba, Sergipe, Vaza-Barris, Piauí e Real.  Na ação, foi avaliado a qualidade da água superficial quanto a presença de Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (HPA), Bifenifenilas Policloradas (PCB),  BTEX e os Trihalometanos(THM), uma vez que esses compostos são indicativos de causa de câncer, além de serem bioacumulativos no organismo humano e animal. O projeto contou com apoio da Agência Nacional de Águas (ANA) e da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Infraestrutura com parceria da Universidade Federal de Sergipe. A ideia foi complementar o monitoramento já realizado pelo órgão em relação às análises físico-químicas e microbiológicas.

Participaram do projeto a supervisora Dra. Karina Magna Macena Leão; a coordenadora e bolsista, Drª Carla Crislan de Souza Bery; a bolsista Laiane da Silva Soares; analista técnico do ITPS, Lukas Gomes Gadelha Vieira Santos; químico analista do ITPS, Lucas Cruz Fonseca.

De acordo com a coordenadora do projeto, a pesquisadora Dra. Carla Crislan de Souza Bery, monitorar os cursos fluviais do estado é de extrema importância para a diminuição do impacto ambiental quanto à contaminação desses compostos de forma a garantir a qualidade de vida para a sociedade, preservando as águas e os animais que nela habitam.

Segundo ela, o projeto começou em outubro de 2021 e terminará no final de setembro de 2023. Durante o período, foi feito o monitoramento da água, com a coleta de amostras, que foram levadas ao laboratório de Química orgânica, onde foi realizada toda a extração e a quantificação dos compostos. “A gente já fez o monitoramento desses Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (HPAs), identificando em quais bacias esses compostos apresentaram resultado acima do limite permitido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama)”, explicou.

Ela ainda alerta que a incidências desses compostos podem ser nocivas à saúde humana e ao meio ambiente, que ao contaminar as águas subterrâneas, esses compostos inviabilizam fontes alternativas de abastecimento e, quando ingeridos, dependendo da concentração e tempo de exposição, podem afetar o sistema nervoso central. O benzeno, o mais tóxico dos compostos, já está associado a cânceres.

“Esses compostos estão propensos a causar câncer tanto em animais como também em seres humanos, já que são bioacumulativos e vão armazenar no organismo provocando doenças. Portanto, a ideia é aumentar o portfólio, com a ampliação das análises desses monitoramentos, tanto no aspecto físico-químicos e microbiológicos, como também desses compostos orgânicos e alertar à população sobre o cuidado com as áreas próximas a esses mananciais”, revelou Carla Bery.

Segundo a coordenadora Carla Bery, a contaminação desses mananciais por esses compostos pode ser advinda da ação humana, a partir das queimadas, assim como do derramamento de derivados do petróleo, ou na agricultura, com a utilização de compostos agrícolas que podem contaminar a água.

Monitoramento
A pesquisadora e bolsista Laiane Soares explica que as análises foram feitas em períodos diferentes, com o objetivo de uma comparação sazonal para verificar a variação desses compostos em diferentes ciclos. “Nós percebemos que no período chuvoso houve uma maior concentração desses compostos, uma vez que eles eram arrastados da margem até o corpo d’água”, disse.

Além de aumentar o arcabouço como cientista, a pesquisadora ressalta a importância do monitoramento desses compostos que podem ser prejudiciais à saúde humana e ao meio-ambiente. “É importante que esse monitoramento continue independente do fim da pesquisa para averiguar e manter um histórico e avaliação da saúde das nossas águas”,pontuou.

Cromatógrafo a gás
Para auxiliar na pesquisa, foi utilizado o cromatógrafo a gás, instrumento utilizado para separação e identificação dos componentes.  O analista químico do ITPS, Lucas Gomes Gadelha Viera Santos, responsável pela coleta das amostras da água nas bacias de Sergipe, explica que o equipamento teve ação fundamental durante a pesquisa.

“Utilizamos o cromatógrafo a gás para fazer o monitoramento dos parâmetros físico-químicos de qualidade da água. Usamos o aparelho para comparar os valores que obtivemos  com o que está previsto na legislação, para verificar se o rio está com um valor aceitável para a utilização da água, para consumo, pesca e outras finalidades”, explicou.

O cromatógrafo a gás faz parte de um conjunto de equipamentos existentes no órgão utilizados para auxiliar na execução de serviços tecnológicos especializados, sob a forma de ensaios, testes e análises, nas áreas da ciência e da tecnologia, de química e microbiologia, pesquisas científicas e tecnológicas, bem como atividades de metrologia legal e qualidade. Além desse importante equipamento, atualmente, o ITPS dispõe de seis laboratórios, que oferecem diversos tipos de ensaios nas áreas de meio ambiente, alimentos, fertilizantes, calcário, água, solos, tecido foliar e resíduos industriais. Além disso, os laboratórios de Química de Água e o laboratório de Solos e Química Agrícola.

Portfólio
Com a implantação de metodologias e a quantificação de compostos que usou o auxílio da técnica de cromatografia gasosa, o projeto aumentou o portfólio de prestação de serviço do ITPS. É o que destaca a supervisora da pesquisa e pesquisadora Dra. Karina Leão.

A coordenadora destaca que o Instituto sempre propõe  a desenvolver pesquisas passíveis de serem aplicadas e que trazem respostas para o cotidiano da sociedade. “Através desse projeto, ITPS pôde ampliar o seu escopo, buscando identificar os possíveis contaminantes, que são prejudiciais à saúde. A pesquisa já está em fase final e esses resultados já se mostram promissores, inclusive, com previsão de publicação na revista internacional Brown University”, disse.

Ela ressalta ainda que os resultados são importantes, não apenas para a comunidade acadêmica, como também para a comunidade em geral. “A gente está entregando resultados confiáveis que foram identificados aqui no ITPS. Portanto, o monitoramento da qualidade da água nas bacias sergipanas é indispensável para garantir a preservação dos recursos hídricos e a sustentabilidade ambiental. O trabalho do ITPS desempenha um papel crucial nesse processo, fornecendo informações precisas para orientar ações de proteção e conservação dos rios em Sergipe. É fundamental que a sociedade se conscientize da importância desse monitoramento e se engaje na preservação dos recursos hídricos, garantindo um futuro mais sustentável”.

Fonte: Governo de SE

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