Com equipamentos modernos e peritos criminais capacitados em níveis nacional e internacional, o Laboratório de Toxicologia Forense do Instituto de Análises e Pesquisas Forenses (IAPF), da Polícia Científica de Sergipe, tem identificado a presença de substâncias lícitas e ilícitas de alta potência que podem desencadear mortes, mesmo em dosagens baixas. Para a efetividade das análises periciais e a emissão de laudos, o IAPF tem recebido equipamentos modernos que permitem ampliar a capacidade técnica de identificação de substâncias em Sergipe, sendo referência também para peritos criminais de outros estados do país.
Dentre os casos já identificados pelo Laboratório de Toxicologia Forense do instituto está o de presença de fentanil e midazolam. Análises como a da presença dessas substâncias representam o resultado prático da modernização dos laboratórios do IAPF, a exemplo da unidade de Toxicologia Forense, conforme salientou o perito criminal Ricardo Leal. “O laboratório foi planejado com um espaço físico com equipamentos que, na época em que foram comprados, existiam apenas em poucos estados do país. Um desses equipamentos é o cromatógrafo líquido acoplado à espectrometria de massas. O equipamento é ferramenta essencial para as perícias de toxicologia forense”, detalhou.
Parceria com Unicamp
Para robustecer a qualidade técnica dos laudos periciais do Laboratório de Toxicologia Forense, o IAPF conta com uma parceria com o Centro de Informação e Assistência Toxicológica da Universidade de Campinas (Unicamp), de São Paulo. “Nós temos uma parceria com o Ciatox, e a gente consegue desenvolver novos métodos, inclusive estabelecendo parâmetros para que a gente possa ter bons resultados”, evidenciou o perito criminal Ricardo Leal, do IAPF.
Fruto da parceria com o Ciatox da Unicamp, há projetos para aquisição de uma nova tecnologia que apenas a Polícia Federal e quatro estados do Brasil possuem, conforme descreveu Ricardo Leal. “Para que a gente possa ter amplitude maior de identificação de drogas novas, que nós chamamos de novas substâncias psicoativas, as quais estão se espalhando por diversos países e que aqui no Brasil também tem alcançado vários estados”, explicou o perito criminal.
Reconhecimento interestadual
Como resultado dos investimentos em tecnologia recebidos pelo IAPF, os laboratórios do instituto têm recebido peritos criminais de outras unidades da federação com o objetivo de examinar amostras apreendidas em seus estados. “Nos últimos anos, nós conseguimos implementar métodos que são capazes de identificar diversas drogas, medicamentos metabólicos e também praguicidas que são usados como venenos em uma gama muito grande de substâncias”, contextualizou o perito criminal Ricardo Leal.
A modernização da estrutura técnica e de equipamentos do IAPF permite que o Laboratório de Toxicologia Forense tenha a capacidade de identificar cerca de 240 substâncias de interesse toxicológico para elucidação de crimes, o que também traz peritos de outros estados para exames em Sergipe, conforme especificou o perito criminal Ricardo Leal. “Às vezes, laboratórios de outros estados não dispõem de métodos tão abrangentes, e isso traz a visita de alguns colegas para realização de alguns exames e perícias”, explicou.
Identificação de substância psicoativa
Recentemente, o IAPF recebeu peritos criminais de Pernambuco e da Bahia. “A colega de Pernambuco nos procurou com o objetivo de identificar uma substância chamada DMT, que é dimetiltriptamina. É uma substância que está presente na bebida ayahuasca, produzida a partir de plantas, mas é substância psicoativa. Quando há o uso no contexto religioso, não há que se falar em crime devido à legislação, mas essa substância está sendo utilizada como droga de abuso”, explicou o perito criminal.
O uso da dimetiltriptamina como droga de abuso, conforme descreveu Ricardo Leal, tem sido alvo de ações em estados como Pernambuco. “É um alucinógeno. É uma substância inicialmente de origem natural, mas que também está sendo usada como droga. Já houve apreensões, por exemplo, na forma de pó, de cristais. E, nesse caso, houve uma suspeita de morte provocada pelo uso de DMT naquele estado. A perita entrou em contato conosco, analisamos o material e não identificamos a existência dessa substância”, relatou.
Em relação à visita do perito criminal da Bahia, o objetivo foi a utilização dos métodos do IAPF para investigar casos de mortes de profissionais da área de saúde relacionadas ao uso de fentanil.
Polícia Científica
A Polícia Científica é a instituição da segurança pública responsável pela perícia oficial no estado de Sergipe, sendo composta por quatro institutos responsáveis por análises e exames periciais que geram laudos técnicos e científicos em torno de apurações sobre crimes no estado. Além do Instituto de Análises e Pesquisas Forenses, a Polícia Científica é composta também pelos institutos de Criminalística (IC), Médico Legal (IML) e de Identificação Papiloscopista Wendel da Silva Gonzaga (IIWSG).
Fonte: Governo de SE





