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Registros de crimes contra crianças e adolescentes caem 30% em Sergipe

Em 2025, todos os casos de feminicídio ocorridos em Sergipe tiveram resposta rápida e efetiva por parte da Polícia Civil / Foto: Ascom/SSP/SE

A média mensal de registros de crimes contra crianças e adolescentes acompanhados pela Polícia Civil de Sergipe caiu cerca de 30% em 2026, na comparação com o ano anterior, segundo dados da Delegacia Especializada de Atendimento a Crianças e Adolescentes Vítimas (DEACAV). No mês em que se celebra o Dia das Crianças, em 12 de outubro, a instituição também reforça a importância da atenção e da participação da sociedade na prevenção da violência contra esse público.

Em 2025, foram registrados 742 crimes acompanhados pela unidade. Até outubro de 2026, foram contabilizadas 434 ocorrências. Na comparação entre as médias mensais, os registros passaram de aproximadamente 62 para 43. Os dados de 2026 são parciais e não representam o fechamento do ano.

Entre os tipos de crime registrados, os casos de estupro de vulnerável passaram de 102, em 2025, para 47 até outubro de 2026. Já os registros de maus-tratos caíram de 176 para 80 no mesmo período de comparação. Apesar da redução nesses indicadores, a Polícia Civil identificou aumento nos registros de importunação sexual e ameaça, o que reforça a necessidade de atenção às diferentes formas de violência.

Mudanças de comportamento merecem atenção

Crianças e adolescentes que vivenciam situações de violência podem apresentar alterações de comportamento. De acordo com a delegada Gabriela Sá, da DEACAV, alguns sinais que merecem atenção são o isolamento, a tristeza, a agitação ou a agressividade incomuns, a queda no rendimento escolar e as mudanças na relação com colegas e familiares.

A criança também pode começar a evitar determinadas pessoas ou lugares com os quais antes se sentia confortável. Esses comportamentos, isoladamente, não confirmam a ocorrência de violência, mas podem indicar que ela precisa de atenção e acolhimento.

“Diálogo, orientação e observação. Esses são os três pilares para se detectar e para ajudar uma criança a sair de um determinado ambiente que lhe traga dor e sofrimento”, orienta a delegada.

A recomendação é conversar de maneira acolhedora, com palavras adequadas à idade, e manter aberto o espaço para que a criança possa falar com um adulto em quem confie. É importante escutar sem pressionar, evitar julgamentos e não responsabilizá-la pelo que aconteceu.

A escola também tem papel importante nesse processo. Como professores e outros profissionais convivem diariamente com os estudantes, podem perceber mudanças na rotina, no comportamento e no rendimento escolar. Ao identificar sinais persistentes de sofrimento, devem buscar orientação e comunicar a situação às autoridades competentes.

Violência pode ocorrer no ambiente familiar

O delegado Fábio Santana, da DEACAV, alerta que muitos crimes contra crianças e adolescentes ocorrem no ambiente familiar ou envolvem pessoas próximas às vítimas. Por isso, a proteção exige atenção não apenas ao comportamento da criança, mas também aos contextos em que ela vive e às pessoas com quem convive.

O delegado destaca ainda que crianças nem sempre conseguem relatar o que aconteceu ou reconhecer que estão sendo vítimas de violência. Nesse cenário, a participação de familiares, vizinhos e educadores é fundamental para que situações suspeitas cheguem ao conhecimento das autoridades.

Como denunciar

A população pode comunicar suspeitas de violência contra crianças e adolescentes mesmo sem ter provas ou conhecer todos os detalhes do caso. Cabe às autoridades competentes apurar as informações e adotar as providências necessárias.

Em Sergipe, as denúncias podem ser feitas pelo Disque-Denúncia 181, que recebe informações de forma anônima e confidencial, sem necessidade de identificação. Também é possível procurar a Delegacia Especializada de Atendimento a Crianças e Adolescentes Vítimas (DEACAV), vinculada ao Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV), na Rua Itabaiana, nº 258, Centro de Aracaju, ou entrar em contato pelo telefone (79) 3205-9400. As demais delegacias da Polícia Civil também podem receber denúncias e orientar a população. Em situações de emergência que exijam atendimento policial imediato, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190.

Fonte: SSP/SE

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