Prestes a comemorar 141 anos, Lagarto caminha rumo a perda de mais um pedaço da sua história: o casarão do ex-prefeito de Lagarto e ex-governador de Sergipe, Dionísio de Araújo Machado, situado em frente a Praça Filomeno Hora, no centro da cidade. É que por falta de condições financeiras e com a autorização da justiça, as duas herdeiras do saudoso coronel da política lagartense colocaram o imóvel à venda.
Segundo o historiador Floriano Fonseca, que já escreveu alguns livros sobre a política lagartense, os bens de Dionísio Machado têm sido alvo de disputas judiciais, porque quando era vivo, ele não reconheceu as suas filhas. “Então elas não têm nenhum vínculo afetivo com a casa e a memória de Dionísio, com exceção do neto que luta para transferir os ossos dele para o mausoléu da Família Machado”, destacou.
Feito de taipa e com o piso de olaria, imagens divulgadas no último dia 11 de abril por Floriano mostram que o casarão ainda dispõe de móveis produzidos no século XIX. Uma vez que Dionísio herdou o imóvel dos seus avós. Dentre os registros está uma foto do saudoso coronel com um primo e é ai que Floriano revela uma curiosidade sobre o mesmo: “Dionísio é fácil de identificar, porque ele somente sentava com as pernas abertas”.
A casa que cheira política
Durante anos, o casarão de Dionísio Machado foi o centro da política lagartense. Por lá passaram muitos políticos, puxa-sacos, eleitores e curiosos, sendo o Gamão o jogo mais praticado entre aqueles que por lá passavam as suas tardes. “Naquela época, a casa de todo coronel havia um quintal grande e um cocho, muito usado nos dias de hoje para alimentar os animais, que servia para colocar comida para o povo nos dias de eleição e as pessoas achavam aquilo o máximo”, relembra Floriano.
Além disso, por ter feito parte do grupo político que originou os atuais Bole-Bole e Saramandaia, o casarão tem sido o palco simbólico de cada grupo político de Lagarto ao vencer as eleições. Tanto é que após a divulgação dos resultados de cada eleição municipal, as chamadas festas da vitória se encerram em frente a casa que pertenceu a Dionísio. “Isso acontece, porque o hábito era comemorar a vitória em frente a casa dos coronéis”, observa o historiador.
Mais um prejuízo histórico e cultural
Devido a falta de condições e de interesse das herdeiras em manter o imóvel, que esteve abandonado durante anos, Floriano lamentou o fato do casarão caminhar para ser demolido.

“A perda daquele casarão será um grande prejuízo histórico, cultural e principalmente de memória para a nossa cidade. Nós já perdemos o Hotel Vitória, a casa de Acrísio Garcez e estamos próximos de perder o prédio do Grupo Escolar Sílvio Romero, que só não desmoronou porque é feito de pedra. E a casa de Dionísio representa um pedaço da nossa história”, lamentou.
























