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Claudefranklin Monteiro faz um balanço sobre os 141 anos de Lagarto

Claudefranklin Monteiro ocupa a cadeira 21 da Academia Sergipana de Educação

Neste dia 20 de abril, o município de Lagarto completa 141 anos. Seu aniversário, por conta da pandemia, não pode ser comemorado com grandes festas, mas atendendo a pedidos de leitores que queriam conhecer um pouco mais sobre a história da cidade berço de Sílvio Romero, o Portal Lagartense apresenta um balanço temático e temporal do município através da perspectiva do historiador e professor da Universidade Federal de Sergipe, Dr. Claudefranklin Monteiro. 

Confira o balanço na íntegra:

Por uma história de Lagarto – Um balanço temático e temporal

As origens do município de Lagarto remontam ao final do século XVI, quando um militar português, Antonio Gonçalves de Santomé, recebeu do conquistador de Sergipe, Cristóvão de Barros, uma considerável porção de terra chamada sesmaria. Anos depois, em 1604, ele fundou o primeiro povoado: Santo Antônio, dedicado à Santo Antônio e a Senhora Santana. Nossa primeira vocação econômica foi a criação de gado, também sustentada pela lavoura. Ao contrário da lenda da pedra, popularizada por Laudelino Freire, o nome do nosso lugar está relacionado ao sobrenome do pai de nosso fundador: o senhor Cristovam Lagarto.

Os primeiros moradores do povoado Santo Antônio viveram um momento difícil logo depois das primeiras décadas de sua fundação. Acometidos por uma epidemia, tiveram que recorrer aos Carmelitas, que vieram para a região propagar o cristianismo. A população foi dividida entre infectados e saudáveis. Os saudáveis foram alocados no que é hoje o centro da cidade. Os Carmelitas pediram a intercessão de Nossa Senhora da Piedade. Com a cura, o lugar foi dedicado à santa e passou a se chamar Paróquia de Nossa Senhora da Piedade do Lagarto, fundada no dia 11 de dezembro de 1679.

Superada a doença, Lagarto se desenvolveu na agropecuária. No dia 20 de outubro de 1697 se tornou vila. Em 1880, no dia 20 de abril, foi elevada à condição de cidade. Ao longo desses anos, foi rota de fuga de escravos negros e de formação de núcleos quilombolas, além da presença da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e a devoção a São Benedito e dos credos de matriz africana. Teve distrito militar e Câmara Municipal logo no primeiro século de existência, por isso mesmo nunca precisou ser emancipada, tendo perdido parte de seu vasto território para outros lugares, a exemplo de Riachão do Dantas e Simão Dias.

Lugar de feições sertanejas até o final do século XIX, com pouco ou quase nenhum investimento educacional, Lagarto foi berço de grandes nomes da cultura intelectual nacional e sergipana, a exemplo de Sílvio Romero, Laudelino Freire, Abelardo Romero, Beatriz Góis, Aglaé Fontes, Luiz Antônio Barreto e Assuero. Além disso, também se notabilizou por suas manifestações populares, com destaque para o grupo Parafusos, cria nossa e até hoje em plena atuação brincante. Além dos jovens que movimentam a vida cultural do município nas praças, também temos a Academia Lagartense de Letras, instalada em abril de 2013.

Graças as ações de Monsenhor Daltro, a cidade de Lagarto deu um salto de qualidade entre o final do século XIX e XX, com investimentos urbanísticos, arquitetônicos e humanitários. O Grupo Escolar Sílvio Romero, fundado em 1924 e tombando como patrimônio cultural de Sergipe em 1995, agoniza a céu aberto, sem a devida atenção das autoridades. Entre os anos 30 e 60, a cidade cresceu e consolidou sua identidade. Nesse sentido, o conjunto praça da Piedade, Coreto e Santuário é um convite a pensarmos em nosso sentimento de pertencimento e a garantirmos a proteção de nossos bens culturais.

Feliz aniversário, cidade de Lagarto!

Claudefranklin ocupa a cadeira 21 da Academia Sergipana de Educação
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