Um dia após o sepultamento do Guarda Municipal de Lagarto Carlisson de Menezes Santos, vítima fatal de um acidente de trânsito, a viúva do mesmo, Taynara Santana, divulgou uma carta à população lagartense. Na oportunidade, ela fala sobre o homem que foi o guardião de Lagarto, bem como agradece a todos pela homenagem rendida em sua despedida.

- Confira a carta na íntegra:
Povo lagartense, a maior prova de que alguém combateu o bom combate, guardou a fé, é a sua despedida desse plano.
Não temos palavras para expressar a dor de perder alguém que amamos e que estava ao nosso lado todos os dias. Meu esposo era e sempre será o amor da minha vida, e sei que de onde estiver continuará a olhar por mim, por suas filhas, por sua mãe, irmãos e familiares.
Carlisson de Menezes Santos era Guarda Municipal, apaixonado pela profissão, ingressou no serviço público com a criação da GM em 2012, servidor efetivo, era um pesquisador e estudioso em sua área, licenciado em matemática pela FJAV, amava sua farda e já ocupou o cargo de coordenador por 2 anos na gestão do Prefeito Lila Fraga, atualmente além de GM, Menezes era coordenador da Ouvidoria da Secretaria Municipal de Ordem Pública de Lagarto/SE .
Chamado pela Família de “Tati” e pelos amigos de “Kuriri”, tinha paixão por motos de grande porte e pelos seus animais de estimação. E fará sem sombra de dúvidas muita saudade aos seus familiares.
Há 8 anos estávamos juntos, e a mais de 2, realizamos o sonho de termos a nossa casa. Não tive filhos biológicos com ele, mas me aproximei com muito carinho de Clarice e Alice, filhas que ele trouxe para o nosso convívio, como também os filhos pet Aika e Ryu.
Para não cometer erros, agradeço imensamente a cada um dos colegas de farda da briosa GM de Lagarto, a segunda casa de Menezes, pelo apoio e solidariedade prestados desde a hora do acontecido, até a hora do sepultamento e a você lagartense que parou na calçada ou na porta de sua loja para se despedir do meu marido, a você que mesmo no tempo de pandemia, foi ao velatório e me abraçou ou cumprimentou.
Agradeço também aos familiares dele, minha sogra Dona Dinalva, aos meus cunhados: Evilasio da Coopervam, a Zé Cego da Fátima, a Leusa de Dé e a Edileide, a cada sobrinho, a cada primo. Dividimos uma dor imensurável, mas que só Deus dará o consolo na certeza de nunca esquecer nosso “Tati”.
Kuriri entrou na minha vida e na vida de minha mãe, que o adotara como filho. Sempre brincalhão, considerava Dona Finha como “Arranheta” pelo jeito “protetor” dela e tinha a consideração e respeito ao meu irmão, pois sempre que podiam estavam juntos, principalmente nas viagens de laser ou de trabalho, nas reuniões de família, sempre comendo um pirão, e por vezes ouvindo Luiz Gonzaga, Eron perde também um parceiro e amigo.
Por fim, obrigada Lagarto, seguirei sentido a minha dor com respeito e força, confiando e mantendo a esperança em Deus, contando com o apoio de mãe e irmão, e com a oração de todos vocês amigos, colegas e conterrâneos Lagarteses.
Meu amor se foi, mas deixou um pedacinho dele em cada um que conviveu: sempre leal, verdadeiro, amigo, irmão, guerreiro!
Uso para me despedir as palavras de Santo Agostinho:
“A morte não é nada.
Eu somente passei
para o outro lado do Caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês,
Eu continuarei sendo.
Me dêem o nome
que vocês sempre me deram,
falem comigo
como vocês sempre fizeram.
Vocês continuam vivendo
no mundo das criaturas,
eu estou vivendo
no mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene
ou triste, continuem a rir
daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.
Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo, sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.
A vida significa tudo
o que ela sempre significou,
o fio não foi cortado. Porque eu estaria fora
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora
de suas vistas?
Eu não estou longe,
apenas estou
do outro lado do Caminho…
Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi.”
Obrigada! Obrigada! Obrigada!




