Autor: Ivaldo Batista
Os versos que aqui fiz
Pra esta atriz genuína
Cuja memória é saudosa
Feições de mulher menina
De Porto Alegre a feliz
Eu me refiro a ELIS
Famosa Elis Regina.
Não há termo que defina
Que exprima as qualidades
O seu fã clube exalta
Sua musicalidade
A competência vocal
A expressão corporal
E sua brasilidade.
Porto Alegre é a cidade
Onde o Brasil recebeu
ELIS REGINA CARVALHO
COSTA, neste chão nasceu
ROMEU COSTA é seu pai
O ventre de ERCY vai
Brindar o que concebeu.
Elis Regina nasceu
Em dezessete de março
No ano quarenta e cinco (1945)
Esse registro eu faço
O seu irmão é Rogério
Regina com jeito sério
Conquistou o seu espaço.
Seu gênio forte é um traço
Abraço essa gauchinha
Batizada por Vinícius
De Moraes de Pimentinha
Falam que ela dançava
Feito uma hélice girava
O povo amava a dancinha.
Ela quando criancinha
Já era bem talentosa
Na sua humilde infância
Mostrava-se poderosa
Voz e força de expressão
Performance e entonação
A vó fica orgulhosa.
Tão tímida, mas jocosa
Com as bonecas brincava
Quando criança cantando
Sua plateia escutava
Com sete anos de idade
Brincando ali de verdade
Só bonecas lhe escutava.
Com onze anos estava
Quando sua mãe levou
Foi um pedido da vó
Dona ERCY não negou
Foi pra rádio Farroupilha
Lá sua filha ELIS brilha
O público adorou.
Ali Elis deu um show
No programa do Ari
Rego e se consagrou
Lá no “Clube do guri”
Foi no Estado dos pampas
Que Elis mostrou ser tampa
Tudo começou ali.
No sul do Brasil eu vi
Elis ser muito aplaudida
Aos 15 anos de idade
A cantora preferida
Elis Regina é perfeita
A melhor da rádio eleita
Êita gaúcha querida.
Se sua mãe fosse ouvida
Seguiria outra missão
Ercy queria que a filha
Fosse noutra direção
Era pra ser professora
Com voz avassaladora
Elis segue o coração.
Sobre sua formação
Elis teve que estudar
Fez o seu curso primário
Lá no grupo escolar
Chamado “Gonçalves Dias”
Se o Guaíba tem poesias
Sente que vou te contar.
Depois de se apresentar
Na rádio e o povo ver
Participou do elenco
Na rádio teve cachê
E dos patrocinadores
Elis recebeu louvores
Foi aplausos pra valer.
Teve direito a ter
De forma contratual
Por uma rádio gaúcha
Enquanto profissional
A mãe para concordar
Exigiu nota escolar
Para dá o seu aval.
Foi pela Continental
Que gravou seu LP
Foi “VIVA A BROTOLÂNDIA”
Pra o Brasil conhecer
Foi em plena mocidade
Dezesseis anos de idade
Seu destino foi crescer.
Depois do Brasil saber
Ouvir em todas paradas
As músicas da ELIS
Eram muito executadas
Dizer aqui eu arrisco
Virou rainha do disco
No Brasil foi coroada.
Foi muito ovacionada
Passamos a assistir
Ela na TV Excelsior
O “ARRASTÃO” pude ouvir
Essa mulher campeã
Por aí conquistou fã
Foi gente pra aplaudir.
Em seguida com JAIR
RODRIGUES apresentou
Programa” Fino da Bossa”
E aí se consagrou
Era na TV Record
O Brasil sob outra ordem
Vinte anos perdurou.
A fama de Elis chegou
Até no exterior
França, Itália, Inglaterra
Viram que ela tem valor
Carreira internacional
Elis foi sensacional
Não deve a nenhum cantor.
Seu legado nos deixou
Muitas contribuições
Vinte e seis anos de estrada
Guardamos recordações
Vinte e dois álbuns ao vivo
Seu espírito altivo
Encantou as multidões.
Para as novas gerações
Que hoje quase não pensa
Foi 4 milhões de discos
E 5 troféus imprensa
18 álbuns ela tem
Até hoje Elis vem
Mostra sua obra extensa.
Falando de suas crenças
Que não estampa os jornais
Fez shows beneficentes
Assistências sociais
Praticou boas ações
Dividiu opiniões
O povo fala demais.
Tem três filhos geniais
Pra ter no mundo seu elo
Um é Pedro Mariano
Outro é João Marcelo
E tem a Maria Rita
Pra mim é a mais bonita
Pode bater o martelo.
Se o Brasil fosse um castelo
E a gente fosse fazer
Uma escolha popular
Para poder eleger
A opinião é minha
Elis seria a rainha
De toda MPB.
Foi triste a gente saber
Ver chorando o brasileiro
No ano oitenta e dois (1982)
19 de janeiro
O ano mal começava
O Brasil todo chorava
Com ele o mundo inteiro.
Chorava o cancioneiro
Protestava a poesia
Nossa intérprete maior
Da gente se despedia
Eu que nasci neste mês
Vi Elis com trinta e seis
Tão jovem ela morria.
Lembro suas parcerias
João Bosco e Tom Jobim
Chico e Milton Nascimento
Adoniram chora em fim
Lembra cantando Iracema
A morte virou dilema
A flor murchou no jardim.
Pensando nela assim
Ouvindo FASCINAÇÂO
O BÊBADO E O EQUILIBRISTA
ROMARIA e LOUVAÇÂO
Assim: COMO NOSSOS PAIS
Quero ouvir sempre mais
Elis com seu vozeirão.
Quem não lembra da canção
APRENDENDO A JOGAR
MUCURIPE, UPA NEGUINHO
TIRO AO ALVARO vou cantar
Mas com as ÁGUAS DE MARÇO
Difícil é sair no braço
Lutar com ela e ganhar.
O cordel vou dedicar
AO ALMÉSIO NASCIMENTO
Professor e escritor
Poeta e fã atento
Que na vida eu conheci
E através dele eu vi
Essa atris de talento.
Pra o fã resta o alento
Que ela será lembrada
Por tudo que fez em vida
Já está eternizada
Lembrar Elis todo dia
Recordar sua alegria
Imagem imortalizada.
Pra mulher emponderada
Que transpirou competência
Que transbordou confiança
Pra tantos foi referência
Sua história eu respeito
Digo ao fim do folheto
ELIS foi esta potência.







