O ex-presidente do Conselho de Administração do Banco do Brasil, Hélio Magalhães, que renunciou à presidência do conselho na quinta-feira (1º) alegando interferências do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no banco, afirmou que o “conjunto da obra” o fez tomar essa decisão e que a interferência do governo federal na instituição “passou do limite”.
Ele disse que os motivos estão na carta de renúncia divulgada e explicou que, mesmo o Banco do Brasil tendo como acionista majoritario o governo federal, a lei das Sociedades Anônimas e a lei das Estatais não permitem interferências políticas.
Para Magalhães, como o Banco do Brasil é uma sociedade anônima, o controlador não pode interferir na governança usando objetivos próprios, de forma que possa prejudicar os acionistas minoritários.
A saída de Hélio Magalhães acontece após quinze dias do pedido de demissão do presidente do BB, André Brandão. Após apenas seis meses no banco, Brandão deixou o cargo pressionado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
André Brandão entrou em conflito com o Palácio do Planalto após anunciar um plano de reorganização que economizaria R$ 2,7 bilhões até 2025, mas fecharia 112 agências e abriria um processo de demissão voluntária para até 5 mil funcionários. Com a oposição da União, o Banco do Brasil desistiu da medida, que foi adotada nos últimos meses pelos seus concorrentes privados.
André Brandão foi o segundo presidente consecutivo a deixar o Banco do Brasil em meio a situação conflituosa. Ele chegou setembro para substituir Rubem Novaes, executivo próximo ao ministro da Economia Paulo Guedes que pediu demissão afirmando não ter se adaptado “à cultura de privilégios, compadrio e corrupção de Brasília”.
Na carta divulgada na quinta-feira (1º), Hélio Magalhães criticou ainda a escolha do sucessor de Brandão, o executivo Fausto Ribeiro. Magalhães registrou junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que Ribeiro não contou com o aval do conselho do BB para presidir o banco.





