Nesta quinta-feira, a cantora americana Selena Gomez revelou ter passado por transplante de rim por causa do lúpus, doença autoimune que a acometeu há um ano. O problema é causado por um desequilíbrio do sistema imunológico, que ataca as próprias células e tecidos saudáveis do organismo levando a dores nas articulações, inflamações na pele e, em situações mais graves, chamado de lúpus sistêmico, provoca inflamações em outros órgãos.

Doença sistêmica
Segundo George Christopoulos, presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia, a necessidade de transplante é muito rara. A perda da função renal ocorre quando o lúpus está bastante evoluído, comprometendo o órgão. Com um tratamento precoce, com corticoides e imunossupressores, que reduzem a agressão do sistema imune, esses danos mais profundos podem ser evitados na maioria das vezes.
“A maioria dos pacientes são muito bem controlados com os medicamentos disponíveis hoje. O caso de Selena é muito raro, principalmente por ela ser jovem”, explicou o médico. O lúpus pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum em mulheres, pessoas entre 20 e 45 anos, mestiços e negros. Fatores genéticos e ambientais, como a exposição solar e infecções, podem estar relacionados ao surgimento, mas as causas ainda são desconhecidas.
Os sintomas do lúpus são diversos e podem variar conforme a intensidade da doença. Geralmente, o paciente apresenta manchas avermelhadas na pele, o que representa 80% dos casos, principalmente nas maçãs do rosto e no dorso do nariz, em formato de borboleta – além de sensibilidade à luz solar. A pessoa também pode sentir cansaço, perda de apetite, dores nas articulações e no peito, devido a inflamações nos tecidos que envolvem o pulmão e o coração.
Os rins
Já em relação a forma sistêmica da doença, apesar de rara, é preciso avaliar caso a caso, de acordo com a intensidade do problema. Com a insuficiência renal pode haver a necessidade de hemodiálise – procedimento que substituiu a filtração do sangue, pode durar até quatro horas e deve ser feita de três a quatro vezes por semana.
A hemodiálise traz uma série de inconveniências e limitações na rotina do paciente – fato que pode ter feito Selena optar pelo transplante. No entanto, de acordo com o médico, essa abordagem é extremamente incomum. Mesmo a cirurgia, recomendada apenas em casos de perda completa da função renal, é bastante rara. “Um transplante sempre é um procedimento de risco”, disse Christopoulos. “Se a pessoa não cuidar do pós-cirúrgico de maneira adequada, pode haver problemas renais mesmo controlando o lúpus.”
Riscos da doença
Além dos danos causados pelo próprio sistema imune, o paciente pode desenvolver alterações neurológicas, cardíacas e pulmonares. Dependendo do caso, trombose e outras complicações da circulação sanguínea também podem ocorrer. “Tudo depende da gravidade da situação. Se a pessoa for diagnosticada cedo e receber o tratamento correto, ela conseguirá levar uma vida saudável.”





