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MP-BA recomenda suspensão de show de Natanzinho Lima em cidade da BA por cachê de R$ 800 mil

Screenshot 2026-04-27 at 21-15-13 MP-BA recomenda suspensão de show de Natanzinho Lima G1

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) recomendou a suspensão imediata do contrato firmado pela Prefeitura de Formosa do Rio Preto, no oeste do estado, para a apresentação do cantor sergipano Natanzinho Lima durante a 40ª Vaquejada do município. O show está previsto para acontecer na noite de 28 de maio e foi contratado por R$ 800 mil.

Segundo a recomendação assinada pelo órgão, na última quinta-feira (23), o valor pago ao artista ultrapassa os parâmetros de razoabilidade definidos pela Nota Técnica Conjunta, elaborada pelo MP-BA, Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA) e Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-BA), que orienta a contratação de atrações artísticas em eventos festivos.

De acordo com o documento, dados do Painel de Transparência dos Festejos Juninos apontam que a média aritmética das 23 contratações de Natanzinho Lima por municípios baianos, em 2025, foi de R$ 604.347,82.

Com a atualização monetária pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), esse valor chegaria a R$ 624.703,60 em 2026.

Ainda segundo o MP, o cachê de R$ 800 mil representa um valor 28% superior ao parâmetro considerado razoável e configura uma contratação de “alta materialidade”, categoria que, conforme o órgão, exige justificativa reforçada e ampla comprovação de compatibilidade com os preços praticados no mercado.

O órgão destacou que contratos acima de R$ 700 mil representam apenas 1% das contratações artísticas identificadas nos festejos juninos da Bahia em 2025 e são considerados “outliers’, valores considerados discrepantes, exigindo maior rigor na análise da economicidade e da conveniência da despesa.

Na recomendação, o Ministério Público pede a suspensão imediata do contrato administrativo e orienta que a prefeitura se abstenha de realizar qualquer pagamento relacionado ao ajuste até que a legalidade e a economicidade da contratação sejam comprovadas.

Além disso, o município deverá encaminhar a íntegra do processo de inexigibilidade de licitação, incluindo pareceres técnicos e jurídicos, pesquisa de preços, justificativa da escolha do artista, dotação orçamentária e contrato celebrado.

O MP também solicitou documentos que comprovem a saúde financeira da prefeitura, como Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO), Relatório de Gestão Fiscal (RGF), demonstrativo de disponibilidade de caixa, além de manifestação do controle interno sobre o impacto da despesa e comprovação de que o pagamento não comprometerá áreas prioritárias como saúde, educação e saneamento.

Outro ponto exigido é uma declaração do prefeito informando que o município não está em estado de emergência ou calamidade pública e que não há atraso no pagamento de servidores públicos ativos e inativos.

A Prefeitura de Formosa do Rio Preto tem um prazo de 10 dias úteis para informar se acatará ou não as medidas recomendadas e apresentar a documentação solicitada.

O MP-BA advertiu que a ausência de resposta ou a recusa sem justificativa poderá resultar na adoção de medidas judiciais e administrativas, inclusive com possibilidade de responsabilização dos gestores por improbidade administrativa ou crime contra a administração pública.

Fonte: G1 Sergipe

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