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SES alerta para a prevenção da perda de audição e a descoberta precoce da deficiência.

Dr Setton

No dia 10 de Novembro, celebra-se o Dia Nacional da Surdez, deficiência que no Brasil atinge duas crianças em cada mil nascidas vivas, número que coloca o país em uma situação intermediária frente as estatísticas mundiais, que apontam entre uma a quatro crianças com a deficiência  para cada mil nascidas vivas. A surdez, como define o otorrinolaringologista Antônio Roberto Ferreira Setton, é a incapacidade do indivíduo de reconhecer os sons do ambiente e de se comunicar verbalmente.

A surdez pode ser congênita ou adquirida. No primeiro caso, o indivíduo nasce com a deficiência, enquanto que no segundo, a perda da audição ocorre ao longo da vida e é causada por uma série de fatores que vão desde uma infecção de ouvido a uma infecção provocada por vírus como a caxumba, o sarampo e a meningite, que pode ser viral ou bacteriana. “Quando nasce, a criança está exposta a uma série de situações que podem acarretar em perda de audição. Por isso a importância de os pais estarem atentos e serem cuidadosos com suas crianças”, disse.

A exposição às infecções que podem ocasionar a surdez começa, na verdade, no ventre da mãe, segundo salienta o médico. “Quando a gente fala em perda auditiva precisamos pensar na criança ainda na barriga da mãe, porque se a gente for olhar direitinho, as estatísticas mostram que duas crianças em cada mil nascem completamente surdas. E por quê? Muitas vezes por causa das infecções congênitas, como a sífilis, a Aids, herpes e outras ISTs”, disse Setton.

Para o otorrinolaringologista, a prevenção é a melhor solução e no caso da perda auditiva congênita, um pré-natal bem feito reduziria bastante os riscos para o bebê. “A mãe, durante a gravidez, precisa receber todas as vacinas, receber orientações que são importantes para a saúde dela e do bebê e fazer os exames sorológicos adequados para detectar precocemente algumas doenças virais principalmente, como a rubéola, que responde por 50% das perdas auditivas por causa viral durante a gestação”, informou o médico.

Setton explicou que a perda de audição pode ser reversível ou não, ainda que seja parcial ou total. Em perda total só é reversível quando descoberta precocemente, ou seja, até os três anos de idade porque aí se utiliza um recurso cirúrgico chamado de implante coclear. “Amanhã a gente vai operar uma criança de dois anos que nasceu completamente surda. Nós vamos fazê-la escutar porque descobrimos precocemente, o que lhe permitirá um desenvolvimento linguístico normal”, ponderou.

Mas, nem sempre isso é possível. A descoberta tardia da deficiência inviabiliza o implante porque os resultados não são bons, como enfatiza Setton, observando que a idade de três anos é fronteiriça para esse tipo de procedimento. A reabilitação se dá também de outras formas: através do uso de aparelho auditivo, de tratamento clínico e outros procedimentos cirúrgicos como a reconstrução da membrana timpânica perfurada e a colocação de próteses dentro da orelha média.  

 Teste da orelhinha

Setton reforça a importante do teste da orelhinha, ou otoemissão acústica, que tem o objetivo de detectar precocemente a perda auditiva. “O exame deve ser feito nos primeiros dias de vida porque quando se identifica a deficiência com brevidade, os resultados da reabilitação auditiva são fantásticos”, celebra o otorrino, salientando, no entanto, a importância de os pais estarem atentos às infecções do ouvido médio, as chamadas otites.

“As criancinhas são mais vulneráveis a elas, que podem também causar perdas auditivas irreversíveis quando não tratadas adequadamente com antibióticos, anti-inflamatórios ou cuidados locais. A otite é uma infecção que compromete a membrana timpânica e a região que fica por trás dessa membrana, que é a orelha média. Até os cinco anos de idade esse tipo de doença é muito incidente nas crianças, por isso que é importante que seja diagnosticada a tratada adequadamente”, reforçou.

Perda no adulto

No adulto, a perda auditiva é induzida pelo ruído, que é a perda ocupacional. “Nosso ouvido tem um limite, ele suporta até uma determinada carga sonora por dia. Então se o indivíduo tem o infeliz hábito de usar fone de ouvido de modo inadequado, numa altura muito grande, se ele permanece com ele muito tempo ou dorme com o aparelho ligado, se costuma trabalhar em ambiente que legalmente tem que utilizar os EPIs para sonoridade e não usa ou a empresa não respeita as normas da lei, certamente que ao longo dos anos ele vai ter perda auditiva. Será lenta, nem sempre se dá conta e quando vê já atingiu um grau de surdez significativa”, observou.

No idoso

Perda auditiva no idoso chama-se Presbiacusia. Segundo Setton, o indivíduo a partir dos 50 anos vai perdendo a maior parte das células do ouvido interno e o que caracteriza essa perda é o fato de a pessoa escutar e não compreender o que está sendo dito. Nesses casos, a solução são os aparelhos auditivos.

O acesso a eles, como explicou o médico, segue um fluxo que começa na unidade básica de saúde, onde o paciente passa por um otorrinolaringologista que irá pedir um exame de audição. Constatada a deficiência e tendo a indicação para uso do aparelho, o paciente é encaminhado para o Centro de Especialidades Médicas (Cemar) do Augusto Franco, onde será visto por outro otorrino que vai direcioná-lo para o hospital São José, onde ele receberá o aparelho ou o implante coclear. Qualquer pessoa, em qualquer idade, pode ter acesso aos tratamentos disponíveis contra a perda de audição.

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