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Mais de 120 projetos de iniciação científica são produzidos nas escolas estaduais

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Despertar o interesse de estudantes do ensino médio pelos fenômenos da Química com a realização de experimentos e atividades práticas em sala de aula utilizando materiais alternativos. Orientados pelo professor de Química Danilo Oliveira Santos, estudantes da 2ª e 3ª série do ensino médio do Colégio Estadual Deputado Guido Azevedo, em Areia Branca, além de tirarem do papel esse projeto, também  produziram uma série de experimentos científicos durante as aulas, captaram imagens desses momentos, editaram vídeos e os publicaram no canal “Química em Areia Branca”criado pelo grupo para popularizar a ciência.

Assim como o projeto “Química em Areia Branca: canal no youtube para a divulgação de experimentos adaptados de livros didáticos”, ao menos outros 121 projetos de iniciação à pesquisa científica e tecnológica foram desenvolvidos dentro das escolas estaduais entre os anos 2017 e 2018 e alguns ainda em processo em 2019.

Para o secretário de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura, professor Josué Modesto dos Passos Subrinho, o desenvolvimento de pesquisa nas escolas da rede pública estadual incentiva a conhecer na prática o que se estuda em sala de aula, à vida acadêmica, ao passo que se busca praticar e até mesmo criar novas ideias. “Fomentar a pesquisa na base é um grande passo para se ter uma educação avançada de qualidade, novos pesquisadores, cientistas e até ideias que se possam melhorar o dia a dia da comunidade”, afirma.

Essa vasta produção científica foi apresentada à sociedade na última edição da Cienart – Feira Científica de Sergipe, iniciativa conjunta da Associação Sergipana de Ciência (ASCi), Universidade Federal de Sergipe (UFS) e Instituto Federal de Sergipe (IFS), com apoio do Governo de Sergipe, por intermédio da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec).

Na VIII Cienart, realizada em outubro de 2018, o projeto “Química em Areia Branca: canal no youtube para a divulgação de experimentos adaptados de livros didáticos” conquistou a segunda colocação na categoria escolas públicas de ensino médio.

Presidente da ASCi e doutora em Química, a professora Eliana Midori Sussuchi (UFS) destaca que o contato do estudante da educação básica com a ciência, por meio do desenvolvimento de projetos de pesquisa, se torna um diferencial na vida acadêmica desse aluno, pois, em larga escala, esse estudante segue atuando como pesquisador quando ingressa no ensino de nível superior.

“É importante que essas pesquisas estejam sendo desenvolvidas nas escolas e, mais importante ainda, é que o governo crie condições de fomentar essas pesquisas. Hoje, poucos desses projetos recebem fomento, através de bolsas PIBICJr/CNPq. Porém, ainda que pareça pouco, se houver ao menos um aluno bolsista desenvolvendo pesquisa em uma escola, o impacto disso é significativo, pois esse estudante consegue agregar à pesquisa que desenvolve outros colegas e professores, motiva a comunidade escolar e contribui para popularizar a ciência dentro da escola”, afirma  Midori.

Pela posição conquistada na VIII Cienart, o projeto desenvolvido no Colégio Estadual Deputado Guido Azevedo, em Areia Branca, foi contemplado com uma bolsa PIBICJr/CNPq (Programa Institucional de Iniciação à Ciência Junior), destinado a estudantes da Educação Básica, e o professor Danilo, coordenador do trabalho, recebeu um mil reais para realização do próximo projeto, com o compromisso de apresentar o trabalho na CIENART deste ano.

“Com esse projeto, buscamos tornar os estudos da Química mais atrativos aos alunos. Inicialmente, de forma direta, tínhamos cinco alunos desenvolvendo esse projeto, mas outros estudantes se interessaram pela atividade, se somaram ao projeto e também contribuíram na produção dos experimentos. Hoje o nosso canal é acessado em praticamente todo país e os nossos alunos passaram a perceber a disciplina com outro olhar, mais atento, mais curioso”, afirma o professor Danilo Oliveira.

Estímulo e fomento

Na última edição da Cienart, projetos de iniciação à ciência desenvolvidos com bolsas do CNPq em escolas da Rede Estadual concorreram e conquistaram a maior pontuação nas três categorias do Prêmio Destaque em PIBICJr, ação promovida pela Associação Sergipana de Ciência (ASCi), exclusivamente para bolsistas do estado de Sergipe. Os projetos de escolas públicas vencedores, tanto da Cienart quanto do Prêmio Destaque em PIBCJr, foram agraciados com medalhas, certificados de participação e uma bolsa PIBICJr/CNPq com duração de 12 meses.

Bolsista do PIBICJr em 2018, João Paulo Freire foi um dos alunos envolvidos no projeto “Química em Areia Branca”. Para o jovem pesquisador, a iniciativa do professor, “de realizar conosco em sala de aula experimentos que antes imaginávamos ser possível apenas em laboratório, fez toda a diferença nos estudos da disciplina”, afirma.

“Estudos de temas de Química que antes desse projeto me pareciam serem complicados de aprender, acabaram se tornando prazerosos com o desenvolvimento de experimentos em sala de aula. Então, vejo como muito importante o estímulo à pesquisa científica dentro das escolas”, conta João Paulo.

Além do canal no youtube, o professor Danilo e seus alunos levaram à última edição da Feira de Ciências de Sergipe outros dois projetos desenvolvidos no Colégio Estadual Guido Azevedo com bolsas PIBICJr/CNPq, destinadas ao fomento de pesquisas de iniciação à ciência e à tecnologia: “Laboratório de Química com materiais alternativos” – que se desdobrou e deu origem ao projeto do canal de vídeos na internet – e “Casca de banana utilizada como adsorvente para remoção de corantes”.

Com este último projeto, os alunos do professor Danilo aprenderam a adsorver – adsorção é o processo químico da adesão de moléculas de um fluido a uma superfície sólida – de soluções aquosas o remazol, um tipo de corante utilizado por indústrias, como as têxteis da região, utilizando cascas de banana.

“O projeto foi idealizado com a finalidade de criar um método de baixo custo para tratamento dos efluentes com corantes antes que as indústrias que os produzem o descartem no meio ambiente, de modo a evitar a contaminação das águas que recebem esses mesmos efluentes”, explica o professor Danilo.

Ao lado da maquete de um fábrica têxtil com a qual os alunos explicaram o experimento de adsorção de corantes na última Cienart, Eduarda Nascimento, ex-bolsista do PIBICJr/CNPq no “Guido Azevedo” conta que o envolvimento que teve com a pesquisa no ensino médio foi produtivo a ponto de fazê-la voltar à escola mesmo após a conclusão dos estudos da educação básica para continuar colaborando com o desenvolvimento de pesquisas científicas e realização de experimentos.

“Hoje sou aluna do curso Técnico em Petróleo e Gás do IFS e posso afirmar que o incentivo à pesquisa que tive na escola foi parte importante do meu processo de aprendizagem”, disse Eduarda, logo após apresentar um experimento realizado com materiais de baixo custo com o qual explicou, de forma simples, princípios de condutividade elétrica de matérias sólidos. “O ensino da Química através de atividade investigativa deixa o processo de ensino mais divertido e prazeroso”, completa o professor Danilo ao tratar das conclusões do projeto.

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