A fronteira da Venezuela com o Brasil, que normalmente só era fechada à noite e reabria às 7h do dia seguinte (8h no horário de Brasília), amanheceu bloqueada por tempo indeterminado nesta sexta-feira (22),após determinação de Nicolás Maduro. Porém, a população venezuelana já encontrou outras formas de entrar em Roraima.
Na manhã desta sexta, vários grupos de venezuelanos usando rotas alternativas no entorno da BR-174, a rodovia que foi bloqueada pela Venezuela desde a manhã desta sexta.
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Grupo na frente de soldados venezuelanos na fronteira com o Brasil em Pacaraima — Foto: REUTERS/Ricardo Moraes
Parte desses caminhos ficam muito perto do posto oficial de controle dos dois países. Por volta das 8h30, guardas venezuelanos intensificaram a fiscalização pelo entorno da rodovia, no intuito de conter a passagem irregular de pessoas para o país.
Rotas clandestinas
Nas rotas clandestinas, os guardas abordam quem tenta cruzar a fronteira a pé pelo lado venezuelano e impedem a passagem pela mata, mas ainda assim há pessoas que burlam a fiscalização e conseguem atravessar os limites entre os dois países.
Do lado brasileiro, na BR-174, o trânsito é liberado, mas quem tenta entrar na Venezuela não consegue autorização de militares do país vizinho. Por volta das 8h20 desta sexta, um grupo de cerca de 50 pessoas e três carros tentou passar pela aduana, mas foi impedido de entrar na Venezuela.
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Pessoas caminham por um campo enquanto tentam atravessar a fronteira entre a Venezuela e o Brasil em Pacaraima (RR)
A bandeira da Venezuela, que normalmente é hasteada por volta das 6 horas, só foi erguida quase duas horas depois por oficiais na fronteira. A barreira brasileira, no entanto, foi reaberta normalmente.
No fim da manhã, por volta das 11h15, um grupo de venezuelanos baixou a bandeira e deixou a meio mastro. Eles gritaram palavras de ordem e afirmaram que o ato era contra a ditadura de Maduro.
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Rotas clandestinas
Nas rotas clandestinas, os guardas abordam quem tenta cruzar a fronteira a pé pelo lado venezuelano e impedem a passagem pela mata, mas ainda assim há pessoas que burlam a fiscalização e conseguem atravessar os limites entre os dois países.
Do lado brasileiro, na BR-174, o trânsito é liberado, mas quem tenta entrar na Venezuela não consegue autorização de militares do país vizinho. Por volta das 8h20 desta sexta, um grupo de cerca de 50 pessoas e três carros tentou passar pela aduana, mas foi impedido de entrar na Venezuela.
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Pessoas caminham por um campo enquanto tentam atravessar a fronteira entre a Venezuela e o Brasil em Pacaraima (RR) .
A bandeira da Venezuela, que normalmente é hasteada por volta das 6 horas, só foi erguida quase duas horas depois por oficiais na fronteira. A barreira brasileira, no entanto, foi reaberta normalmente.
No fim da manhã, por volta das 11h15, um grupo de venezuelanos baixou a bandeira e deixou a meio mastro. Eles gritaram palavras de ordem e afirmaram que o ato era contra a ditadura de Maduro.
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Véspera do bloqueio
Na quinta-feira (21), grupos de venezuelanos que cruzaram a fronteira antes das 20h (horário local, 21h em Brasília) foram informados pela Guarda Venezuelana de que não poderiam retornar após o horário definido por Maduro. À noite, pedestres conseguiam cruzar a fronteira, mas a passagem de veículos já estava proibida.
Do fim da tarde até o início da noite, por volta das 19h (20h de Brasília), houve uma intensa movimentação de carros carregados com compras saindo de Pacaraima a Santa Elena. Uma fila chegou a se formar perto da área de fiscalização venezuelana.
O fechamento ocorre onde seria um dos pontos de coleta dos carregamentos de comida, remédio e itens de higiene básica enviados à população venezuelana.
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Venezuelanos driblam reforço na fronteira e cruzam caminhos clandestinos entre Brasil e Venezuela —
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Ajuda humanitária
O presidente venezuelano determinou o fechamento para tentar barrar a ajuda humanitária oferecida pelos EUA e por países vizinhos, incluindo o Brasil, após pedido do autoproclamado presidente interino Juan Guaidó. Maduro vê a oferta dessa ajuda como uma interferência externa na política da Venezuela.
Durante a tarde, após o anúncio do fechamento, venezuelanos correram para Pacaraima, cidade brasileira na fronteira, para comprar estoques de mantimentos. Um comerciante da região relatou aumento de 30% no movimento em relação a “dias comuns”.
O porta-voz do presidente Jair Bolsonaro (PSL), Otávio Rêgo Barros, disse que a ajuda humanitária está mantida.
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Pessoas carregam seus pertences após atravessarem a pé a fronteira da Venezuela com o Brasil em Pacaraima (RR) — Foto: Ricardo Moraes/Reuters
Desabastecimento em Roraima
Na noite da quinta-feira, o governador de Roraima, Antônio Denarium (PSL), disse que cidades do estado podem ter falta de gasolina por causa do fechamento da fronteira.
“Em Pacaraima nem há postos de combustível porque a gasolina na Venezuela é muito barata, o valor é irrisório. E, se por acaso for fechada a fronteira, tanto Pacaraima e Santa Helena também podem ter problemas de abastecimento”, declarou Denarium.
De acordo com o governador, o estado também recebe fertilizantes e calcário da Venezuela e, se a fronteira for fechada, o abastecimento da agricultura será prejudicado.
Ainda segundo Denarium, 50% da energia consumida no estado é produzida na Venezuela e uma das preocupações é que as relações com o país vizinho levem também ao fim do fornecimento de energia.
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