PUBLICIDADE

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
post
page

PUBLICIDADE

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
post
page
Publicidade

Alunos da Colônia Treze planejam desenvolver sacolas sustentáveis

DSCF1052

Imagine a oportunidade de poder ajudar sua comunidade e aprender ao mesmo tempo. É exatamente isso que os alunos do Colégio Estadual Luiz Alves de Oliveira (Celao) e Monsenhor Daltro, localizados na Colônia Treze, estão fazendo. Eles integram o “Colônia Treze Contra o Câncer”, fruto de um projeto de extensão da Universidade Federal do Paraná (UFPR) em parceria com essas escolas, e desenvolveram uma ideia para diminuir o consumo de sacolas plásticas em seu povoado.

Os estudantes realizaram uma produção audiovisual, inscrita no III Festival de Vídeos Digitais e Educação Matemática, em que estimaram o número de sacolas plásticas que são utilizadas em sua comunidade e pensaram uma maneira de reduzir esse consumo, causando assim, menos impactos negativos ao meio ambiente.

Reuniões aconteciam no polo da Universidade Aberta do Brasil, na Colônia Treze.

A etapa presencial do evento acontece entre os dias 5 e 6 de setembro e, este ano, terá como sede a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Para ajudar os alunos sergipanos, é importante que o vídeo tenha o máximo de curtidas possíveis, já que passará tanto por um júri técnico quanto popular. O vídeo, intitulado “Um pouco de Matemática e pequenas atitudes podem transformar a Colônia Treze” pode ser visto no Youtube, através deste link.

Inspiração

O projeto é coordenado por Roberto Ribeiro, natural da Colônia Treze e professor do Departamento de Matemática da UFPR; e pelo professor de Matemática e Física do Celao, Marcos Matos.

Ribeiro conta que a inspiração surgiu após assistirem um vídeo, durante a campanha eleitoral de 2018, que abordava a questão do ciclo de consumo, e que a ideia de avaliar esse tema, a partir da utilização das sacolas no povoado, partiu espontaneamente dos próprios alunos.

“Nós vimos que usam muitas sacolas plásticas por aqui, na verdade foi uma mera preocupação mesmo, e aí a gente fez a pesquisa no Treze todo pra levantar, mais ou menos, quantas sacolas eram usadas, e foi um número bem alto”, disse, Maísa Porcinio, 19, integrante do projeto.

Resultados

Os estudantes entrevistaram 22 comerciantes para saber quantas sacolas plásticas eles compravam por mês para abastecer seus estabelecimentos, dividindo os comércios em grupos de grandes, médios, pequenos e mal localizados ou com pouca necessidade de uso. Assim, chegou-se ao número de 270.180 sacos plásticos mensais.

Também foram mapeados outros 24 estabelecimentos, que assim como os demais, foram separados com base no seu tamanho, localização ou necessidade de uso. Estes, porém, não receberam a visita dos estudantes.

Portanto, seu consumo foi estimado com base na média aritmética de suas respectivas categorias, e chegou-se ao valor de 77.850, totalizando 348.030 bolsas plásticas mensais apenas na Colônia Treze, que possui cerca de 21.480 habitantes, segundo dados fornecidos pela Cooperativa de Eletrificação e Desenvolvimento Rural Centro-Sul de Sergipe (Cercos).

Isso significa que em um ano são consumidos cerca de 4.176.456 sacos plásticos na comunidade. O impacto disso é gigantesco já que eles demoram entre 100 e 450 anos para se decompor na natureza.

Depois de chegar a esses resultados, os alunos pensaram em como sanar esse problema. “Aí a gente teve a ideia de desenvolver sacolas plásticas novas, recicláveis com a logo, com patrocinadores e vamos distribuir nos supermercados e, ao invés das pessoas estarem usando um monte sacolas plásticas pra colocar coisas pequenas, o mercado vai poder fornecer uma sacola maior que as pessoas poderão reutilizar”, explica Porcinio.

Objetivos alcançados

Ainda de acordo com o professor da UFPR, quando um projeto como esse é pensado, busca-se atingir três esferas: escola, aluno e comunidade. Portanto, em relação aos alunos, o objetivo foi mostrar para os estudantes que eles são agentes que podem transformar a realidade de sua comunidade e que o conhecimento que eles adquirem tem uma finalidade.

Em ordem: Marcos Matos (Celao); Jéssica Anísia; Roberto Ribeiro (UFPR); Ítalo Martins; Maísa Porcinio e Eduardo Pereira.

“Em relação a escola, é fundamental que a gente consiga associar o conteúdo matemático com a realidade do nosso dia-a-dia. A aula em si não pode ser apenas quadro e giz, porque em relação a uma aula comum, o aluno pode ir no Youtube e acessar qualquer aula que ele quiser. Então, a escola, enquanto instituição, tem que começar a repensar como tratar os conteúdos matemáticos, esse projeto cumpre essa finalidade”.

Quanto a meta de abarcar a comunidade, a ideia veio não apenas de abordarem um conteúdo matemático em si, mas justamente de promover uma reflexão sobre a produção, consumo e descarte de tudo aquilo que compramos, explica Ribeiro.

Satisfação e apoio

Em relação a experiência de atuar no projeto de extensão Colônia Treze Contra o Câncer, o estudante do Celao, Eduardo Pereira, 17, diz que o trabalho já deu certo. “Temos um marco na comunidade, um nome, todo mundo conhece o projeto. Querendo ou não, no futuro seremos uma influência boa porque a gente estuda, desenvolve, e isso é muito importante para os alunos e para a comunidade”.

Jéssica Anísia, 16, que também estuda no Celao, disse o quanto foi gratificante ver o apoio da comunidade em relação ao projeto, curtindo e compartilhando o vídeo para que o grupo consiga um bom resultado no festival, além disso, falou também sobre sua experiência. “É como um sonho, porque a gente correu tanto pra fazer com que isso acontecesse. Foi uma experiência inexplicável, porque trouxe conhecimento, nos ajudou a crescer muito, então é tudo muito novo e espetacular”.

O estudante Ítalo Martins, 18, também destacou o apoio dos moradores da Colônia Treze quando participaram da “10ª SIEPE – Semana Integrada de Ensino, Pesquisa e Extensão” da UFPR, em 2018, oportunidade em que puderam apresentar as atividades desenvolvidas em prol da conscientização dos moradores da comunidade acerca dos riscos à saúde causados pelo uso de agrotóxicos, época em que também tiveram o apoio da Secretaria Municipal de Educação de Lagarto para realizarem a viagem.

“O apoio que a comunidade nos deu foi muito grande, eles abraçaram muito o nosso projeto. A gente começou a vender rifas na escola e em outros lugares do Treze e foi muito bonito ver o engajamento da comunidade na causa, porque a gente foi divulgando aos pouquinhos e de repente havia pessoas parando a gente pra perguntar sobre as rifas, chegou a um ponto que já tínhamos vendido tudo e as pessoas ainda queriam comprar pra nos ajudar. É o que faz a gente saber que valeu a pena desenvolver esses trabalhos e que vale a pena desenvolver outros projetos aqui na comunidade”.

Incentivo e contribuição

Matos, professor do Colégio Luiz Alves de Oliveira, disse que é professor há cerca de 15 anos e que aprendeu e continua aprendendo muito com os alunos através do projeto e contou emocionado a respeito de um episódio que para ele foi muito gratificante.

“Ao final de uma das reuniões envolvendo os pais dos alunos, uma mãe e um pai vieram me procurar pra perguntar se o projeto teria continuidade porque queriam colocar seus filhos também. Começaram a falar do sonho que tinham de verem os filhos desenvolvendo um projeto semelhante. Citou até a questão de alunos do município terem a oportunidade de conhecer um outro estado, uma outra realidade e apresentarem um trabalho em uma universidade”.

Este ano, o grupo provavelmente promoverá outra venda de rifas para tentar custear os gastos durante a viagem, ou seja, de manutenção em Vitória (ES), onde ocorrerá a etapa presencial do terceiro Festival de Vídeos Digitais e Educação Matemática.

Quem quiser ajudar os alunos com doações para sua manutenção durante o festival, pode entrar em contato através das redes sociais do projeto, procurando por “Colônia Treze Contra o Câncer” no Facebook e Instagram.

Festival de Vídeos Digitais e Educação Matemática

O Festival de Vídeos Digitais e Educação Matemática, que está em sua terceira edição, é uma iniciativa do projeto “Vídeos Digitais na Licenciatura em Matemática a Distância”, coordenado pelo professor Dr. Marcelo de Carvalho Borba, da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), Rio Claro.

O evento consiste em um ambiente virtual de compartilhamento de vídeos com conteúdos matemáticos e um evento presencial no qual são realizadas palestras, mostras de vídeo e Cerimônia de Premiação.

A submissão dos vídeos pode ser realizada por grupos de alunos (tanto da Educação Básica quanto do Ensino Superior a distância ou presencial) ou por qualquer pessoa que tenha interesse em participar do Festival, com a possibilidade de colaboração de professores, tutores, amigos e familiares. As inscrições para a edição 2019 foram encerradas no dia 16 de junho.

Colônia Treze contra o câncer

Colônia Treze contra o câncer surgiu de um projeto de extensão da UFPR em parceria com o Colégio Estadual Luiz Alves de Oliveira e Mosenhor Daltro, com o objetivo de investigar uma possível ligação dos casos de câncer na comunidade com o uso de agrotóxicos.

O projeto é composto pelos alunos: Anna Letícia Fernandes Barbosa Bispo; Eduardo Pereira Costa; Evely Julianne Anjos Santos; Ítalo Martins de Deus; Jéssica Anísia Lima dos Santos; José David Alves Sales; Maísa Porcinio Souza; Maísa Fernanda dos Santos; Maria Marcela Santos de Jesus; e Vitória Pinto de Andrade.

Publicidade
Publicidade