Internacionalmente, o Brasil ainda é muito associado ao Carnaval e às belezas naturais de suas praias e florestas. Por esse motivo, o turismo ecológico é um grande chamariz para o público estrangeiro.
Segundo o Ministério do Turismo, o ecoturismo trouxe ao Brasil 65,7% dos japoneses, 71,2% dos chineses, 34,7% dos canadenses, 30% dos americanos e 28,6% dos australianos que viajaram por lazer. Contudo, a reverberação do aumento das queimadas na Amazônia pode desencorajar os futuros visitantes.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais, os focos de incêndio florestal cresceram 70% em relação a 2018, sendo que a Amazônia é o bioma mais afetado. Esses dados alarmantes chamaram a atenção dos grandes jornais, que rapidamente os publicaram, gerando repercussão nas redes sociais.
Antes mesmo da posse do atual presidente, Jair Bolsonaro, a tendência já era de aumento das áreas desmatadas. O Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes) afirma que, desde 1994, já foram desmatados 325 mil km² — praticamente o tamanho da Alemanha.
Porém, ainda não existem pesquisas definitivas sobre as causas do pico de crescimento no último ano. Alguns afirmam que o desmatamento e queimadas acompanham as variações dos preços das commodities ou do preço do ouro, mas os dados são especulativos.
Contudo, o que parece ser um consenso entre os especialistas é o aumento da atenção dada à Amazônia nos últimos meses pelos jornais e redes sociais.
As autoridades e a mídia
As declarações públicas do presidente anunciando a Amazônia como um bioma a ser economicamente explorado e a desqualificação das instituições de preservação ambiental geraram controvérsia no mundo. Cada pronunciamento reverbera negativamente entre os turistas, que passam a reavaliar seus destinos.
O incêndio ocorrido em agosto deste ano, por exemplo, causou uma verdadeira comoção internacional, com celebridades como Leonardo DiCaprio, Demi Lovato e Lewis Hamilton se manifestando em suas redes sociais. A hashtag “pray for Amazonia” (traduzida em “rezem pela Amazônia”) viralizou.
O impacto negativo foi tamanho que o presidente da França, Emmanuel Macron, sugeriu aplicar sanções comerciais ao Brasil, caso medidas para combater o fogo e preservar a floresta não fossem tomadas imediatamente. O debate estendeu-se até a discussão sobre a soberania da Amazônia: se ela deveria ser território internacional ou brasileiro.
A importância do ecoturismo
A questão é que é preciso haver ecossistemas preservados para haver ecoturismo. Os empresários do setor anunciam seus destinos como locais de conservação ambiental, com fauna e flora abundante a ser admirada. Cria-se então uma contradição de informações, o que, possivelmente, pode afastar os visitantes.
Ainda que autoridades, como o governador do estado do Amazonas, Wilson Lima, afirme que parte dos tabloides está “superdimensionando” o problema, ele reconhece a piora no cenário e que há relatos de clientes cancelando suas viagens à região.
O triste ponto é que o ecoturismo é ainda mais necessário em momentos de crise, como o atual. De acordo com o próprio Ministério do Turismo, o ecoturismo se baseia na sustentabilidade, empoderamento das comunidades nativas locais, conservação dos biomas e desenvolvimento de consciência ambiental.
Assim, os turistas que optam por destinos e roteiros de ecoturismo estão encorajando a preservação e colaborando para divulgar os ideais de conservação ambiental. Além disso, a presença de turistas pressiona os governos a manterem seus biomas preservados, já que os visitantes assumem um papel de “fiscalização” não oficial.
E a importância do ecoturismo não é restrita aos estrangeiros. Conhecer seu próprio país, com seus biomas diversos é fundamental para preservá-los.





