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Governo de Sergipe se prepara para efeitos da estiagem provocado pelo El Niño

Foto: Bruno César

O Governo de Sergipe já se prepara para um possível aumento dos efeitos da estiagem provocado pelo El Niño e prevê ampliar a capacidade de abastecimento emergencial no estado. Atualmente, 40 caminhões-pipa estão mobilizados para atender comunidades afetadas pela falta de água, mas a frota poderá chegar a 60 veículos nos próximos meses, caso a demanda aumente e o cenário de seca se prolongue. A estratégia é coordenada pela Defesa Civil estadual e faz parte de um conjunto de medidas de preparação para evitar que o agravamento da estiagem resulte em desabastecimento prolongado em comunidades mais vulneráveis.

O planejamento considera, entre outras ações, o reforço da Operação Carro-Pipa, a utilização de adutoras e cisternas, a atualização dos planos municipais de contingência e a mobilização de recursos federais, se necessária. O cenário que sustenta a preparação já é de atenção. Atualmente, 11 municípios sergipanos estão em situação de emergência em razão dos efeitos da seca e da estiagem. Eles estão concentrados no alto sertão, agreste central e centro-sul. De acordo com a última Planilha de Situação de Emergência, 73.151 pessoas foram afetadas pela seca em Sergipe em 2026.

Entre os municípios atendidos estão Tobias Barreto e Poço Verde, no centro-sul, e Poço Redondo, Canindé de São Francisco, Porto da Folha, Monte Alegre de Sergipe e Nossa Senhora da Glória, no alto sertão. Também estão em situação de emergência Carira, Frei Paulo, Nossa Senhora Aparecida e São Miguel do Aleixo. “O objetivo é mitigar os impactos da seca e da estiagem existentes em nosso estado”, explica o coordenador de Resposta e Gestão de Desastres da Defesa Civil estadual, sargento Robson Rabelo.

No povoado Lagoa do Canto, em Poço Redondo, a chegada do caminhão representa uma mudança concreta no cotidiano de Eliene Marques da Silva. Antes, ela precisava buscar água na casa da mãe para lavar roupa, cozinhar e cuidar da casa. “Agora vou ter água pertinho de casa, e isso vai facilitar muito. Estou bastante feliz”, diz.

A emoção também aparece do outro lado da operação. Pipeiro há 30 anos e há mais de um ano trabalhando para a Defesa Civil, José Valmir Soares dos Santos conhece a expectativa dos moradores. “Quando a gente chega com água, é muita alegria. O pessoal já pergunta: ‘Quando é que vem de novo?’. O povo já fica naquela alegria, porque tem certeza de que a água vai chegar”, conta.

Planejamento

O planejamento da Defesa Civil estabelece 50 litros de água por habitante por dia como referência para o atendimento. O volume é utilizado como parâmetro para avaliar a situação das comunidades e identificar quando o abastecimento começa a atingir níveis de maior vulnerabilidade. Quando a disponibilidade fica entre 20 e 29,9 litros por pessoa/dia, a comunidade ou povoado passa a ser classificado em situação de alto risco. Abaixo de 20 litros por habitante/dia, o nível é considerado muito alto e demanda intervenção emergencial.

“A Operação Carro-Pipa tem caráter complementar, já que a maior parte do abastecimento é realizada pelos próprios municípios. A atuação estadual entra justamente para reforçar a capacidade de resposta nos locais em que a oferta de água não é suficiente para atender à população”, detalha o sargento Robson Rabelo.

Com a possibilidade de elevação da frota de 40 para até 60 caminhões, o Estado pretende ter margem para responder ao aumento da demanda caso a estiagem avance sobre novas comunidades ou intensifique as dificuldades já existentes. A definição de quais localidades receberão atendimento prioritário considera a situação de cada comunidade e a evolução dos indicadores de abastecimento. Dessa forma, o objetivo é evitar que o reforço seja acionado apenas quando a população já estiver submetida a uma situação crítica.

A atuação preventiva também envolve os municípios. O planejamento prevê o fortalecimento dos planos municipais de contingência, instrumentos utilizados para organizar previamente as responsabilidades e os procedimentos necessários diante de eventos climáticos extremos. A lógica é antecipar a resposta. Caso a estiagem se prolongue, o Estado poderá ampliar as medidas de abastecimento, recorrer a estruturas como adutoras e cisternas e buscar recursos federais para garantir a continuidade das ações.

“Nesse processo, o monitoramento das condições de cada região é fundamental para definir quando uma situação que inicialmente exige apenas acompanhamento passa a demandar uma intervenção mais robusta”, completa Rabelo.

Fonte: Governo de SE

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