O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, faz um apelo nesta sexta-feira (30) para que países que possuam doses em excedente de vacinas contra o novo coronavírus as compartilhem com o Brasil.
“Reiteramos nosso apelo àqueles que possuem doses extras de vacinas para que possam compartilhá-las com o Brasil o quanto antes possível, de modo a nos permitir lograr avançar em nossa ampla campanha de vacinação de modo a conter a fase crítica da pandemia e evitar a proliferação de novas linhagens e variantes do vírus”, disse Queiroga, em videoconferência com o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom.
O ministro afirmou que, desde que assumiu a pasta, trabalha em duas frentes: a aceleração do programa de vacinação e a orientação da população “de maneira clara e objetiva sobre medidas não farmacológicas cientificamente comprovadas”, como o uso de máscara, a higienização das mãos e o respeito ao distanciamento social.
“Desse modo, busquei conciliar as medidas sanitárias com a necessidade de buscar emprego e renda da população brasileira. Para essas ações, tive como pilar o Sistema Único de Saúde (SUS), um dos maiores e mais complexos sistemas de saúde pública do mundo”, disse Queiroga.
“O Brasil é o único país com mais de 100 milhões de habitantes que garante acesso integral, universal e gratuito à saúde.”
O ministro também fez um aceno à China, principal fornecedora de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) utilizado na produção de imunizantes contra Covid-19 em território nacional, e disse que o Brasil “conta com a cooperação fundamental da República Popular da China”.
“Tenho muito orgulho em referir-me à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e ao Instituto Butantan (…) Graças a parcerias exitosas com a empresa sueco-britânica AstraZeneca e a chinesa Sinovac [respectivamente], elas produzem em território nacional a totalidade das vacinas usadas hoje na imunização dos brasileiros contra a Covid-19.”
Independência da Anvisa
Ao ser questionado sobre a atuação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que recentemente não aprovou a autorização da importação da vacina Sputnik V, produzida na Rússia, Queiroga afirmou que não compete ao ministro da Saúde intervir na agência por se tratar de um órgão de estado e não governo.
“Por determinação do presidente, só devemos aplicar imunizantes que estejam aprovados pela Anvisa e ele faz isso em estrita observância à legislação. Então, neste sentido, não há o que falar em atraso de vacinação no Brasil.”
Queiroga disse que os diretores da agência regulatória são “pessoas técnicas” e têm capacidade de resistir às pressões políticas que ele considerou serem normais “dentro de um país democrático e de uma ambiência de uma pandemia”.
“O governo fez uma conferência com o presidente russo, Vladimir Putin, o Brasil integra um bloco com a Rússia e a China, são nações amigas, e assim que a Anvisa aprovar o imunizante [Sputnik V], ele será incluído em nosso programa sem nenhum problema.”




