Em entrevista concedida ao programa Fantástico, da Rede Globo, no último domingo, 12, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, falou sobre as medidas que estão sendo adotadas no país, relacionadas ao combate a pandemia do novo coronavírus, e o que se pode esperar daqui para frente.
A respeito dos números de infectados no Brasil- atualmente são 22,3 mil – e de mortos pela Covid-19 – que já supera os 1.200 -, Mandetta disse que esses dados estão subestimados.

“Dentro do que a gente pensava, lá no início, em fevereiro, fazendo simulações com outros países e adequações para o nosso clima, mais ou menos a gente sabia que chegaria a primeira quinzena de abril, aproximadamente, com esses números. Sabemos também, desde o início das projeções, que a segunda quinzena de abril seria a que aumentaríamos e que maio e junho seriam os meses de maior estresse para o nosso sistema de saúde”.
Dificuldades
O ministro disse ainda que, atualmente estamos colhendo as consequências do que fizemos há duas semanas e que se suspendermos precocemente o isolamento horizontal, voltaremos ao mesmo padrão do início, em que tínhamos, diariamente, um aumento do surgimento de “brotes epidêmicos”.
Sobre o aumento do estresse entre os meses de maio e junho, Mandetta afirmou que serão dias duros. “Nós vamos ouvir coisas como: ‘olha, vocês não fizeram o que vocês tinham que fazer, por isso o sistema [de saúde] está entrando em colapso; vocês tinham que ser mais duros; vocês tinham que ser menos duros, porque a economia está assim, está assado’. Sempre vão haver os engenheiros de obra pronta. Pessoas que depois que você trabalha, faz o possível e o impossível para enfrentar uma situação, que depois da situação passada, falam: ‘ah, não, mas isso deveria ter sido feito assim, assado'”.
Testagem em massa
Segundo Mandetta, não existe capacidade de se fazer uma testagem em massa na população e mesmo que fosse possível, muitas vezes os testes precisam ser repetidos, o que tornaria essa medida inviável. “Nosso foco é com os trabalhadores que nos são mais importantes no momento”, como profissionais da saúde e segurança pública.
Responsabilidade
Ainda de acordo com o ministro, o que pode conter a propagação do vírus não é somente decreto ou força policial, mas a consciência de cada cidadão em fazer a sua parte, sendo o responsável pelo cuidado coletivo.
“Nós não experimentamos até agora no Brasil o lockdown [fechamento de tudo, inclusive de serviços essenciais, mantendo abertos apenas farmácias, supermercados e hospitais e necessidade de autorização policial para sair de casa], nós tivemos uma diminuição de mobilidade social importante. Chegamos a ter uma diminuição expressiva, relaxamos, estamos agora em torno de 50-55%, já chegou a ser 70%”.
Atrito
Mandetta também falou sobre as atitudes do presidente da República, Jair Bolsonaro, que muitas vezes desrespeitam suas orientações, quando perguntado se isso chegava a constrangê-lo enquanto ministro da Saúde.
Ela [relação conflituosa com o Bolsonaro] preocupa, porque a população olha e fala assim: ‘será que o ministro da Saúde é contra o presidente?’ E não há ninguém contra ou a favor de nada. O que eu digo é que o nosso inimigo, o nosso adversário, quem a gente tem que ter foco para falar ‘esse aqui é o nosso problema’, é o coronavírus. É ele que é o nosso principal adversário. Se eu estou ministro da Saúde, é por obra de nomeação do presidente. Ele [Bolsonaro] olha muito também pelo lado da economia e chama muito a atenção sobre isso. O ministério da Saúde entende a economia, a cultura, a educação, mas chama pelo lado de equilíbrio, de proteção a vida. Espero que a validação desses modelos de enfrentamento dessa situação possam ser comuns e que a gente possa ter uma fala única, uma fala unificada. Porque isso leva para o brasileiro uma dubiedade, ele não sabe se escuta o ministro da Saúde ou o presidente.
Sobre quem a população deve ouvir, o ministro da saúde citou que devemos privilegiar o tripé composto por foco, disciplina e ciência.




