A água em abundância para irrigar o ano inteiro o Perímetro Irrigado Piauí, administrado pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe – Cohidro em Lagarto, somada à facilidade de plantio e colheita, e o baixo custo no manejo da batata-doce, garantiram o aumento gradual da produção até 2017, quando foram produzidas 1.115 toneladas ao longo do ano.
Como o tubérculo era cultivado praticamente sem o uso de agrotóxicos, dois vírus transmitidos pelo Pulgão e pela Mosca Branca atingiram as lavouras, fazendo cair sua produtividade e levando muitos agricultores a abandonar o cultivo. Os que persistiram, contudo, trouxeram ramas-sementes de outras microrregiões sem casos de infestações, e estão conseguindo recuperar o lucro no plantio.

Para técnico agrícola da Cohidro, Marcos Emílio, contudo, a solução encontrada pelos agricultores é paliativa, pois o reuso das ramas da batata-doce como semente para as próximas lavouras tende a proliferar a doença.
“Os produtores plantavam aqui muita batata-doce e, nos anos anteriores, sempre rendia boas produções. Só que no ano passado houve uma queda muito grande. Verificamos que o problema está no material genético, na própria rama da batata. Então, esses dois vírus vão passando de um plantio para outro através da rama. Não precisa nem a Mosca Branca estar aqui, porque as ramas já estão infectadas”, explicou.
Marcos conta que, agora, quer fazer parcerias para a produção de mudas sadias, a partir do material genético de plantas sem o vírus. Ele cogita ainda, em último caso, fazer o processo de ‘limpeza do vírus’ nas amostras das batatas-doces que melhor se adaptam ao solo e clima de Lagarto, em um laboratório da Embrapa ou outra instituição. De acordo com ele, a produção de mudas seria feita em viveiro, sem o contato com as lavouras contaminadas, para que os plantios sejam recompostos com matrizes saudáveis.
“Na agricultura, você deve planejar e acompanhar o que está acontecendo no campo, para conseguir almejar lucros. Não adianta pegar uma planta doente e colocar no campo. Vai gastar com adubação, perder tempo e não vai produzir nada. É preciso investir certo. Procurar o escritório da Cohidro e fazer o trabalho correto”, orienta o técnico.





