Quem vai ao Sarau da Caixa d’Água ou ao Som na Praça, eventos que de uns anos para cá se tornaram marca registrada da agenda cultural de Lagarto, possivelmente não sabe que Afonso Augusto, seu principal idealizador e organizador, está há mais de uma década movimentando a juventude lagartense por meio da cultura, do esporte e do entretenimento.

Tudo começou por volta de 2004, quando Afonso fundou a Aneurisma, banda de punk rock que agitou o público rockeiro dos colégios Sílvio Romero e Polivalente. Já nesse período, o músico escrevia poemas, os quais foram reunidos no livro Labirintos da Percepção, publicado em 2005 em parceria com Duilio Almeida, também poeta e companheiro da Aneurisma.
Nessa mesma época, paralelamente às atividades musicais, Afonso desempenhava outra grande paixão: o handebol. Além de se reunir com outros amantes do esporte periodicamente na Praça do Forródromo, Afonso jogou pelos times dos colégios Sílvio Romero e Polivalente e da antiga Liga Lagartense de Handebol. Além disso, foi preceptor da disciplina de educação física, com foco nesse esporte, no Colégio Laudelino Freire, onde trabalhou junto com o professor Aristides Libório. Como jogador e treinador, ganhou competições e o principal: apresentou aos jovens o poder transformador do esporte.
Em 2006, juntamente com Paulo Henrique Souza, ex-integrante da Lacertae, tiveram início os famosos Ajuntatudo, que foram uma espécie de embrião para o que hoje é o Sarau da Caixa d’Água. O Ajuntatudo acontecia no auditório da Secretaria Municipal de Educação e, como o próprio nome já sugere, tinha o propósito de reunir diversas manifestações artísticas de Lagarto e região, desde as canções do músico e compositor Edizero, de Tobias Barreto, aos desenhos existencialistas de Rogério Bonifácio, passando ainda pelo recital dos mais variados estilos de poesia.

Após oito anos de Ajuntatudo, em 2014, com a parceria de Jaflety Pedro, Thalia Leal e Alef Souza, Afonso fundou o Coletivo Sarau da Caixa d’Água, inspirado no Sarau Debaixo, da cidade de Aracaju. O objetivo do coletivo é levar arte para os espaços públicos, dar espaço para artistas pouco conhecidos e movimentar a economia criativa da cidade, já que o evento é uma oportunidade para os pequenos comerciantes gerarem renda. “Além disso, o Sarau tem o propósito de fomentar o debate de temas de relevância social, como a identidade da população negra, o direito das mulheres e questões referentes ao público LGBTQ+”, frisa o produtor cultural.
O Sarau foi um divisor de águas na vida de Afonso. Também no ano de 2014, ele lançou Instintos, seu primeiro disco de canções autorais. Em 2015, deu início ao Som na Praça, que ocorre aos domingos na Praça Filomeno Hora e possui grande diversidade de estilos dentro das atrações musicais. Em 2016 e 2017, promoveu duas edições do Festival de Inverno de Lagarto e, ainda em 2016, organizou a edição mais recente do Festival Lagartense de Música Popular (FLAMP), que foi incluído na programação da ExpoLagarto daquele ano. Em 2017, o artista lançou Amorbido, seu segundo disco de canções autorais.

Afonso destaca que toda essa agitação cultural foi feita independentemente do poder público, embora eventualmente tenha recebido apoio dele. “Sempre esperei mais do poder público, mais do que uma ajuda pontual. Já levei projetos prontos para serem apenas apreciados e votados, como o da prioridade para os vendedores ambulantes da cidade em eventos de grande porte organizados pelo município, mas não recebi a devida atenção”, relata Afonso. “Lagarto tem potencial para se tornar uma cidade de turismo de eventos. Nós já fizemos muito, mas Lagarto pode mais”, finaliza Afonso.




