As manhãs e tardes dos domingos de dezembro, em algum lugar do passado eram assim; Uma pick-up D20, vermelha, (depois creme), com um alto-falante sedan no teto, descia a rua anunciando: É o Papaaaaai Noeeeel da Casa Oriente!!! .

E eu, se estivesse na porta, o coração disparava e saia cá pexte na carreira pra me esconder do tal monstro…
Tirem suas conclusões aí, com essa máscara bisonha que escondia um sujeito magro e com quase 2mts de altura, correndo pelas calçadas para dar um susto na molecada e depois acalmar os nervos com uma “bala soft”? Só fui aceitar ganhar um presente das mãos dele quando já beirava os 7 pra 8 anos.

Aonde habitava esta criatura? Na Praça Filomeno Hora, até onde um dia destes era O Frigideira.

Pertencia ao saudoso comerciante Ursulino Loiola Silva, O Seu Nôzinho, (1916-2009), foi ele quem criou o Papai Noel mais temido e querido por mim e por várias gerações.

Quem o anunciava era o seu filho Santinho, falecido este ano. Mas a família inteira se envolvia na triagem, embalo e identificação dos presentes e a loja ficava aberta até mesmo na noite da véspera para que ninguém ficasse sem garantir o presente do dia seguinte.
Mas se querem saber o que esse Papai Noel tinha de mais especial, é que ele ia tanto na casa da menina que ganharia uma simples bonequinha de plástico, quanto na do garoto que receberia uma bicicleta porque passou de ano. Fosse rico ou pobre, o bom velhinho, que era o Seu Nôzinho, sempre ia.
E teve uma época que ele vinha em dose dupla, afff. Por falar em ‘dose’… Lembro claramente que um deles quase destruiu minha infância, quando depois de me entregar o presente, levantou metade da máscara e virou de “guti-guti” um copão de cerveja do meu tio, que já começava cedo as comemorações. Papai Noel tava suado né? Ia rodar essa cidade inteira, merecia se refrescar com algum liquido. Está desculpado.
Sim, claro que havia uns Papais Noéis mais “simpáticos”.
Tinha o do extinto “Armarinho Junior”, tinha a dupla da “Casa do Alumínio Vasconcelos” e um dos últimos a ser criado foi o do “Mundo da Criança” que era localizada no Calçadão da Dom Pedro II.
Pena que de um ano para o outro eles foram sumindo um a um. Algumas lojas seguiram, mas estes inesquecíveis personagens ficaram na saudade.
Pela nossa pesquisa já nos anos 2000 a Loja Milla Presentes (Hoje Dallas Presentes) resgatou a tradição por alguns anos, não sei se ainda mantém.
Mas a geração, 70 e 80 foi marcada mesmo pelo da Casa Oriente, “O original”.
Hoje tenho é uma nostalgia da pentcha, porque apesar do pavor, eu sempre esperava por esta criatura que foi o maior personagem daqueles “Natais que já não fabricam mais”.
Por: Kiko Monteiro (Insta: lagarto que tem e que já teve).







