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Quarto fechado, caixas de som e cantos hostis: Brasil usa psicologia para vencer a Argentina e ir à final

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Mente sã e corpo são. E vice-versa. É assim que o Brasil vai buscar a medalha de ouro no futsal na próxima quinta-feira, nos Jogos Olímpicos da Juventude. Ao longo da caminhada em Buenos Aires, os atletas da delegação brasileira têm como aliada a psicologia do esporte. Uma parceria que teve participação direta na vitória sobre a Argentina, na semifinal. Agora, será preciso dar um último passo para controlar os sentimentos e conquistar o tão sonhado ouro – inédito na modalidade -, diante dos russos.

Um quarto, muitas caixas de som e um barulho ensurdecedor. Gritos e cânticos argentinos ecoando, de forma incessante e quase que hostis. Um cenário um tanto quanto intimidador, mas que seria preciso ser encarado por todos os integrantes do Brasil. Foi assim que a delegação brasileira, juntamente com a psicóloga Alessandra Dura, do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), preparou os atletas e a comissão técnica para a semifinal diante da Argentina, na noite da última quarta-feira. Um a um, eles entraram na sala e projetaram aquilo que iriam enfrentar na luta por uma vaga à final dos Jogos.

A cena? A cena foi repetida em um ginásio com mais de sete mil vozes, que empurraram os donos da casa para cima do Brasil. O placar? Vitória brasileira por 3 a 2. Este processo, na psicologia é chamado de “dessensibilização”, um método da terapia comportamental para superar situações que causem estress ou ansiedade.

Esta conduta de trabalho, segundo explica a psicóloga Alessandra Dutra, do COB, tem sido a linha com o futsal – cada uma tem a sua especificação. A busca tem como objetivo tornar a equipe brasileira mais combativa dentro de quadra.

A gente está fazendo um trabalho voltado para a combatividade dos atletas em quadra. Desenvolvemos com eles uma noção de jogo a jogo, diante de cada adversário. Esse é um conceito novo que estamos adotando, trabalhar em cima de não sermos, historicamente, um país combativo. Falta essa tensão voltada para a honra do país. Precisamos ter essa característica para as quadras, piscinas ou pistas. Então com o futsal estamos fazendo isso a cada jogo e trabalhando isso passo a passo – explicou a psicóloga.

Para a partida contra Rússia, o trabalho também será específico. Principalmente para evitar um possível relaxamento na equipe brasileira pelo fato do rival já ter sido batido com goleada – na primeira fase, o Brasil venceu por 6 a 1 o time europeu.

Restam poucos dias para a final e, até lá, certamente muita coisa irá passar pela cabeça dos atletas brasileiros. A ansiedade e a expectativa precisam ser bem trabalhadas e, ao que parece, não será por falta de trabalho mental que o Brasil não buscará o ouro.

Alessandra Dutra é a psicóloga do Comitê Olímpico Brasileiro — Foto: Divulgação / Riot
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