PUBLICIDADE

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
post
page

PUBLICIDADE

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
post
page
Publicidade

Um desabafo da ferida que essa campanha deixou na alma do jornalista Iuri Rodrigues

Imagem do WhatsApp de 2024-10-10 à(s) 16.12.01_88c85e21

Temos que lidar com delicadeza com os momentos de vulnerabilidade dos outros.

Foi só uma eleição, mas o ataque pessoal ficou pra toda uma vida e eu explico!

Tem uma escritora, de quem eu gosto muito, que diz o seguinte: a gente escreve pra não morrer, mas também a gente escreve pra não matar

Passada a eleição, a primeira pessoa que foi em minha casa me dar um
abraço foi Rafaela. Com um gesto nobre e largo, ela foi gigante. Mas depois eu falo sobre isso.

Eu sempre fui uma pessoa intensa, e sempre olhei a vida das pessoas de uma maneira diferente.

Na adolescência, lembro que olhava para as luzes acesas dentro das casas dos vizinhos e imaginava como cada um vivia, o que os faziam rir ou chorar…

Durante o processo político, fui chamado de louco, depressivo, drogado, alcoólatra, doente de uma podridão de último estágio e de coisas que, por respeito a mim, e a você que me lê, não vou citar.

Fui alvejado por mensagens, em rodas de conversas e em fofocas de pessoas de caráter duvidoso. Umberto Eco não errou quando disse que a internet deu voz aos imbecis. Não só a internet, mas também as calçadas das ruas da cidade.

Os que ouviram essas palavras sórdidas, sequer me defendeu. Fiquei pasmo ao saber de onde saiam as notícias.

Quando eu recebia as mensagens escrotas que diziam sobre mim, olhava para um lado, olhava para o outro. E alguns parentes e amigos meus se faziam de mortos.

Bravo, meus inimigos. Vocês foram brilhantes. E não falo sobre pessoas de fora. Falo de pessoas de dentro, o que é pior e doloroso

Teve pessoas que me perguntaram se eu não poderia falar coisas pessoais de gente com quem eu estive em vários momentos da vida. Não falei por minha conta. Porque acho que este é um cuidado fundamental que se tem que ter; afinal, a gente vai embora, a gente morre, mas o caráter e a ética ficam.

Dizem que eu sujo o nome da família, mas como Lagarto é pequeno e todos se conhecem, as pessoas sabem
que não sou eu quem sujo o nome de família de ninguém.

Enquanto escrevo, lembro de pessoas que entrevistei para o meu livro Um lugar pra respirar e de como eles confiaram em mim além do ser repórter.

Tantas coisas dizem tanto sobre caráter. Saber segredos de alguém e histórias exige muita responsabilidade e isso não é pra todo mundo, não!

Enfim, meus inimigos, eu os aplaudo. Me atacaram com baixaria. Vocês são terríveis.

Muitos dos que me atacaram, domingo vão lá rezar na missa da Piedade, com os terços amarrados no pulso. Que medo eu tenho de vocês!

Foi só uma eleição, e a vida segue.

Iuri Rodrigues/Jornalista e escritor e pecador

Publicidade
Publicidade